Index  [ ]  [  ]
Curia Generalizia dei Carmelitani Scalzi - Corso d'Italia, 38 - 00198 ROMA - Italia
email ocdinfo@pcn.net    Tel. +39-06-854431 Fax +39-06-85350206

UMA DOUTORA PARA O TERCEIRO MILÊNIO

Carta circular dos Superiores da Ordem do Carmo e Ordem Carmelita Descalça
por ocasião da declaração de Santa Teresa de Lisieux como Doutora da Igreja
 

 

 

 

 

 

 

Roma · 19 - X - 1997

 

Queridos irmãos e irmãs no Carmelo:

 

 

1. Há pouco mais de um ano nos dirigimos a vocês para refletirmos sobre a mensagem de nossa irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, por ocasião do centenário de sua morte. Àquele tempo não pensávamos que tão cedo voltaríamos a escrever uma carta circular sobre ela. Desta vez escrevemos para meditar juntos sobre o sentido e as conseqüências do título de Doutora da Igreja que o Papa João Paulo II, como acaba de anunciar em Paris, durante a Jornada Internacional da Juventude, lhe outorgará em Roma, no próximo dia 19 de outubro de 1997, Domingo mundial das missões.

 

2. Na manhã do dia 24 de agosto, ao encerrar em Paris a Jornada Mundial da Juventude, o Papa descreveu a pessoa e a doutrina de nossa irmã e os motivos pelos quais a declarará doutora, após um “acurado estudo” e muitos pedidos da Igreja universal. Chamou Teresa de Lisieux de jovem carmelita que viveu inteiramente cheia do amor de Deus, oferecendo-se radicalmente a seu amor e sabendo praticar, na simplicidade da vida quotidiana, o amor fraterno. Ela imitou Jesus sentando-se à mesa dos pecadores, seus irmãos, para que fossem purificados pelo amor, porque se sentia animada pelo ardente desejo de ver todos os homens iluminados pela luz da fé. Ela, continuou a dizer o Papa, descobriu que sua vocação era ser no coração da Igreja o amor, e traçou a “pequena via” das crianças que acolhem a Deus com audaz confiança. Sua mensagem está centrada na atitude filial, proposta a todos os fiéis. “Seus ensinamentos, verdadeira ciência do amor”, são a expressão luminosa de seu conhecimento do mistério de Cristo e de sua experiência pessoal da graça. Ajuda aos homens e mulheres de hoje e também aos de amanhã a perceber melhor os dons de Deus e a difundir a Boa Notícia do amor infinito.

 

3. O Papa a chamou “carmelita e apóstola, mestra de sabedoria espiritual para numerosas pessoas consagradas e leigas, padroeira das missões”. Também ressaltou que “ocupa um lugar de primeira grandeza na Igreja e que sua eminente doutrina merece ser lembrada entre as mais fecundas”. Concluiu afirmando que quis anunciar a proclamação de Teresa de Lisieux como Doutora da Igreja ante os jovens porque ela, jovem santa, tão presente em nosso tempo, tem uma mensagem especifica e adequada para a juventude. Na escola do evangelho, ela abre aos jovens o caminho da maturidade cristã, “convoca-os a uma infinita generosidade e os convida a serem no coração da Igreja os apóstolos e testemunhas ardentes do amor de Cristo”. Invocou, junto aos jovens, Teresa de Lisieux para que conduza os homens e mulheres do nosso tempo pelo caminho da verdade e da vida. Encerrando seu discurso, disse: “com Teresa do Menino Jesus dirijamo-nos à Virgem Maria a quem ela louvou e invocou com filial confiança durante sua vida”.

 

I. UM LONGO CAMINHO ATÉ SER DOUTORA 

 

 Os primeiros passos

 

4. Já desde o tempo de sua canonização, não faltaram bispos, pregadores, teólogos e fiéis de diversos países pedindo que nossa irmã Teresa de Lisieux fosse declarada doutora da Igreja. Esta corrente eclesial favorável ao doutorado teresiano-lexoviense se oficializou em 1932, por ocasião da inauguração da cripta da Basílica de Lisieux, durante a qual houve um congresso em que participaram cinco cardeais, cinqüenta bispos e uma grande multidão de fiéis. Em 30 de junho, o Padre Gustave Desbuquois, S.J., com uma argumentação teológica clara e precisa, falava de Teresa de Lisieux como doutora da Igreja. Superada a surpresa inicial de sua proposta, houve a adesão de muitos dos participantes, bispos e teólogos. Esta repercussão positiva da sugestão do P. Desbuquois teve alcance universal. D. Clouthier, bispo de Trois Riviéres (Canadá), escreveu a todos os bispos do mundo a fim de preparar uma solicitação à Santa Sé. Em 1933 ele já havia recebido 342 respostas positivas de bispos que apoiavam o projeto de se declarar Teresa de Lisieux, Doutora de Igreja.

 

 

Restrições a uma mulher

 

5. A relação do P. Desbuquois foi apresentada ao Papa Pio XI. Acompanhava-a uma carta de Madre Inês de Jesus, irmã de nossa Santa e Priora do Carmelo de Lisieux, em que contava ao Papa o grande êxito do congresso Teresiano. Em 31 de agosto de 1932, o cardeal Pacelli, Secretário de Estado, respondia à Me. Inês, em nome do Papa. Manifestava sua alegria pelo sucesso do congresso teresiano, mas ponderava que era melhor não tratar da declaração de Teresa de Lisieux, como Doutora da Igreja, ainda que “sua doutrina não deixasse de ser uma luz segura para as almas que procuram conhecer o espírito do evangelho”.

    Os tempos ainda não estavam maduros para se declarar Doutora da Igreja a uma mulher. De fato, o Papa Pio XI havia respondido negativamente a solicitação que os Carmelitas haviam apresentado para que Santa Teresa de Jesus, “Madre de los Espirituales”, fosse declarada Doutora. A proposta era rechaçada pelo fato de ser uma mulher. “Obstat sexus” (“o sexo impede”), disse o Papa; e acrescentou que deixava a decisão para o seu sucessor. Ante a negativa do Vaticano e, por ordem do mesmo, o recolhimento de assinaturas em prol da concessão do titulo de Doutora a Santa Teresa de Lisieux, foi interrompido.

 

Mudam as circunstâncias

 

6. Com a declaração de Teresa de Jesus e Catarina de Sena como Doutoras da Igreja, em 1970, foi derrubado defini­tivamente o obstáculo que impedia nomear como Doutora, uma mulher. Perante este fato, novamente se apresentou a possibilidade de que Teresa de Lisieux, nossa irmã, pudesse ser declarada Doutora da Igreja. Em 1973, ano do Centenário de seu nascimento, D. Garrone suscitou novamente a questão: “Um dia Santa Teresa de Lisieux poderá ser Doutora da Igreja? Respondo que sim, sem hesitação, estimulado pelo que sucedeu com a grande Santa Teresa e com Santa Catarina de Sena”. Em ocasiões sucessivas os Carmelitas levantaram a questão. Em 1981, o Cardeal Roger Etchegaray, a pedido do Carmelo Teresiano e, após consulta ao Conselho Permanente do Episcopado francês, enviou uma carta oficial ao Papa João Paulo II solicitando que Teresa de Lisieux fosse declarada Doutora da Igreja. Em diversas ocasiões, a postulação geral da Ordem e o bispo de Lisieux, D. Pican escreveram cartas oficiais neste sentido. O Capítulo Geral do Carmelo Teresiano, em 1991, e o Carmelo da Antiga Obser­vância, em 1995, fizeram outro tanto. No mesmo sentido se pronunciaram mais de 30 conferencias episcopais e milhares de cristãos: sacerdotes, religiosos e leigos de 107 países.

 

A “Positio” examinada e aprovada

 

7. Nos primeiros meses deste ano de 1997, foi oficialmente solicitado ao Carmelo Teresiano, a elaboração da “Positio”, ou seja, a apresentação das provas necessárias para demonstrar que uma pessoa reúne as condições exigidas pela Igreja para ser declarada Doutor. As limitações de ordem cronológica conduziram a um trabalho de colaboração. No início de maio já se contava com um volume impresso de 965 páginas, no qual, em quatro partes e treze capítulos, se apresentam os dados, a doutrina e a importância, a influência e a atualidade da mensagem teresiano-lexoviense. Apresenta-se uma breve história de sua beatificação e canonização (c.1) e do processo de “Doutoramento” (c.2). Segue uma pequena e densa biografia de Teresa de Lisieux (c.3), uma análise de sua personalidade (c.4), uma cronologia (c.5) e uma apresentação de seus escritos (c.6). Partindo do ponto de vista doutrinal se oferece uma visão geral da doutrina teresiano-lexoviense (c.7), uma síntese de sua teologia (c.8) e um exame das fontes de seus ensinamentos (c.9). A irradiação e atualidade de Teresa de Lisieux são examinadas de três ângulos: acolhida e apresentação da doutrina por parte do magistério da Igreja (c.10), irradiação e influência (c.11) e, finalmente, atualidade de sua doutrina para a Igreja e o mundo de hoje (c.12). Conclui a Positio destacando a “eminência” da doutrina de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face (c.13). No fim da Positio, há a transcrição das Cartas Postulatórias do “Doutorado” elaboradas pelas Conferências Episcopais e por personalidades eclesiásticas e leigas. Também se acrescentou uma bibliografia seleta (130 páginas), os votos de 5 teólogos designados pela Congre­gação para a Doutrina da Fé e de dois designados pela Congregação para a Causa dos Santos, e um Apêndice iconográfico, no qual Teresa aparece representada como Mestra e Doutora.

    Após estudar a Positio, as Congregações para a Doutrina da Fé e para a Causa dos Santos, bem como o Consistório dos Cardeais, deram sua aprovação para que nossa irmã pudesse ser declarada doutora da Igreja. O Santo Padre, João Paulo II , como já dissemos, tomou a decisão de fazê-lo, e deu ciência do fato à Igreja universal ao finalizar a Jornada Mundial da Juventude, celebrada em Paris.

 

II TERESA DE LISIEUX, DOUTORA PARA O TERCEIRO MILÊNIO

 

8. Falar do Terceiro Milênio é falar de tempo e ação de Deus, em primeiro lugar. Ele se manifesta e atua na história. Já nos disse Teresa de Jesus que “para Deus conceder grandes favores a quem o serve qualquer tempo é tempo” (F 4,5). Estão para completar-se dois mil anos de história cristã. Ao celebrar este momento histórico “não se pretende induzir a um novo milenarismo, como se fez por parte de alguns ao fim do primeiro milênio; mas sim suscitar uma particular sensibilidade a tudo que o Espírito revela à Igreja e às Igrejas (cf. Ap.2,7ss), bem como aos indivíduos por meio dos carismas a serviço da comunidade... a humanidade, apesar das aparências, continua esperando a revelação dos filhos de Deus e vive desta esperança... [1]”. Deus nos interpela hoje, como ontem e sempre, para construir nossa existência, pessoal e comunitária, com uma resposta livre e responsável.

 

 

9. Na perspectiva da celebração do Grande Jubileu do ano 2000, Deus suscitou na Igreja a consciência da necessidade de uma nova evangelização para responder a este tempo especial de graça e renovar a fé, a esperança e o amor centrados em Jesus, único Salvador e centro da história. Ele nos revela o verdadeiro rosto de Deus e nos mostra a presença e ação do Espírito nas pessoas e no mundo.

    A história é lugar da presença operante, salvífica de Deus e da responsabilidade das pessoas. “A Igreja destaca a importância da história como lugar em que Deus se manifesta... Mas é necessário dizer também que a Igreja considera que o tempo, a liberdade e a história são os lugares em que o homem constrói a existência humana. Ambas presenças, não em um paralelo incomunicável, mas em um diálogo que, por parte de Deus, é gratuito e inicial e, por parte do homem, é aberto em sentido transcendental”[2].

    O momento de uma nova evangelização é também o momento dos grandes desafios do mundo. Não se podem separar estas duas coisas. Existem desafios por contraste e, por harmonia com o evangelho de Jesus, confiado à Igreja para seu anúncio-realização na história. Estes desafios nos pedem toda atenção à luz do evangelho.

 

 

A) AS EXIGÊNCIAS DA NOVA EVANGELIZAÇÃO

 

10. Fazer ressoar o anúncio do evangelho, requer que se siga por algumas das vias indicadas pela Encíclica Redemptoris Missio: o testemunho, o anúncio, a comunhão e o serviço[3]. Convém tê-las presentes para compreender o fundamental e o atual da mensagem de Teresa de Lisieux, Doutora da Igreja.

 

O testemunho

 

Evangelizar não é transmitir uma doutrina, mas sim uma experiência transformada em vida. Esta experiência é precisamente o que é comunicado: “o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos... nós vo-lo anunciamos também a vós, para que estejais em comunhão conosco” (1 Jo 1,1-3). Às vésperas do terceiro milênio, o mundo para o qual devemos dar testemunho é um mundo de descrença e de injustiça. Nós, os cristãos, somos chamados a “justificar nossa esperança perante aqueles que dela nos pedem conta”. (1 Pd 3,15). A pergunta é como fazer com que esta esperança e este testemunho sejam existencialmente inteligíveis. Isto leva a pessoa de fé a revisar sua vida pessoal e eclesial, porque “o homem contemporâneo crê mais nas testemunhas que nos mestres, mais na experiência que na doutrina, mais na vida e nos feitos do que nas teorias”[4]. Hoje, o testemunho evangélico ao qual o mundo é mais sensível, é o da “atenção às pessoas e à caridade para com os pobres e pequenos, para com os que sofrem”[5] , e também o da defesa da paz, da justiça, e dos direitos humanos[6].

 

O anúncio  

 

Junto ao testemunho, o cristão realiza sua missão evangelizadora através da proclamação da Boa Nova da salvação: Cristo morreu, ressuscitou e nos transformou em filhos e filhas de Deus; nos libertou da escravidão do mal, do pecado e da morte. Devemos anunciar o amor de Deus, nosso Pai, que nos convoca à comunhão com ele. Todos os seres humanos são destinatários deste anúncio. No nosso tempo, existem áreas que necessitam de uma atenção especial: as grandes cidades que favorecem o individualismo e o anonimato, a desagregação cultural, o pluralismo e a indiferença. De maneira especial os jovens precisam ser evangelizados. Eles são o futuro do mundo. Do mesmo modo urge que se faça ressoar o anúncio do evangelho para as massas dos não praticantes. O anúncio aos que não o escutaram e aos que ainda não conhecem Jesus Cristo, continua atual e exigente.

 

A comunhão 

 

13. “Aprouve contudo a Deus santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituindo um povo, que o conhecesse na verdade e santamente”[7]. Com estas palavras o Vaticano II assinalava com toda clareza que a fé se vive em comunidade, que o fruto da evangelização e da ação do Espírito é a criação de comunidades fraternas que formam a nova família de Deus. O advento de Cristo se manifesta na comunhão. “Por ela sabemos que fomos transferidos da morte para a vida (cf. Jo 3,14)... e dela (comunhão) emana uma grande força apostólica”[8]. A comunhão se dá por meio da fé e dos sacramentos da fé, que conduzem à “koinonia” que se abre a todos, especialmente a todos que crêem em Cristo, através de um ecumenismo ativo e solidário. A comunhão exige o diálogo sincero e fraternal.

 

 

O serviço

 

14. A fé deve expressar-se em obras porque em Cristo Jesus só tem valor “a fé que atua pelo amor” (Gl 5,6). O serviço a Deus e ao próximo é a melhor prova de amor. A diaconia cristã não é senão um seguimento de Jesus que “não veio para ser servido, mas sim para servir” (Mt 20,28) e que esteve entre nós como servidor (Lc 22,27). Desde o princípio do cristianismo houve destinatários privilegiados do serviço dos cristãos: os pobres, os marginalizados, os que sofrem. Por isso, tendo em vista o Grande Jubileu do ano 2000, João Paulo II, na sua carta Apostólica Tertio Millennio Adveniente, não duvidou em afirmar: “deve-se dizer antes de tudo que o compromisso pela justiça e pela paz em um mundo como o nosso, marcado por tantos conflitos e por intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, é um aspecto primordial da preparação e da celebração do jubileu”[9].

 

 

B)TERESA DO MENINO JESUS, DOUTORA PARA O TERCEIRO MILÊNIO

 

15. Somos obrigados a iniciar com uma palavra de ligação com a tradição ou patrimônio espiritual, que alimenta a experiência-doutrina de Teresa de Lisieux. O Carmelo - “deserto” para o qual queria ingressar com sua irmã Paulina - é a terra em que fixou suas raízes desde menina. Com a precocidade que define toda sua “carreira de gigante”, deve-se dizer que ela “vive” a espiritualidade carmelita muito antes de a ler formulada por Teresa de Jesus e, sobretudo, por João da Cruz. A profunda sintonia vocacional, que ela manifesta, não se explica somente pela leitura dos escritos deles. Trata-se sobretudo de um fruto do Espírito que, com a vocação para o Carmelo, a faz filha deles e a auxilia a viver uma experiência espiritual semelhante e claramente definida, que encontrará sua confirmação e enriquecimento no contato com a experiência-doutrina teresiano-sanjoanista.

 

16. Examinando a experiência de Teresa de Lisieux e aprofundando em seus ensinamentos, que conservam sua atualidade e universalidade, podemos compreender qual é o aspecto de sua experiência-doutrina, que a torna mestra e doutora da Igreja na perspectiva do Terceiro Milênio e que resume todos os demais:

    O AMOR PATERNO-MATERNO DE DEUS.

    Guiada pelo Espírito, foi levada a compreender a revelação do amor misericordioso de Deus, que resume em si todo o evangelho. Deus é amor que se revela aos pobres e simples. Deus-amor nos convida a viver em comunhão com ele e com o próximo e a servir nossos irmãos como Jesus fez para testemunhar e proclamar esta Boa Nova.

 

Doutora da experiência de um Deus próximo e misericordioso

 

17. O redescobrimento do rosto paterno-materno de Deus foi o ponto de partida do novo caminho em direção à santidade, que nossa irmã viveu principalmente a partir de 1894, na experiência de sua enfermidade. Jesus lhe mostrou, como ela diz, que o caminho é o do abandono e a confiança a de uma criança, que repousa sem temor nos braços de seu Pai:

“Aquele que é pequenino que venha a mim”, disse o Espírito Santo pela boca de Salomão. Este mesmo Espírito de Amor disse ainda que “A misericórdia é concedida aos pequenos”. Em seu nome o profeta Isaías revela-nos que no último dia... “assim como a mãe acaricia seu filhinho, assim eu vos consolarei, aconchegar-vos-ei ao meu seio e acariciar-vos-ei sobre meus joelhos”... Jesus não grandes ações, mas unicamente abandono e gratidão”[10].

Esta experiência de Teresa de Lisieux é a experiência de um Deus Pai-Mãe que ama os injustos e os maus (cf. Lc 6,35); que conhece do que precisamos antes mesmo de pedirmos; que nos perdoa e pede que perdoemos; que nos protege e cuida de nós (cf. Mt 6,8-9.14-15.26) . Aqui se encontra a passagem do temor para confiança. Estamos ante Deus como filhos e filhas diante do pai e da mãe. Deus tudo faz para colaborar com o nosso bem, apesar de nossas deficiências e falhas. Reconhecer a Deus pai-mãe requer um coração infantil que opta por permanecer pequeno:

“O que lhe (a Jesus) agrada é ver-me amar a minha pequenez e a minha pobreza, é a esperança cega que tenho na sua misericórdia ... A confiança, e nada mais que a confiança, pode conduzir-nos ao amor”[11].

Na raiz de toda vocação cristã está a iniciativa do Senhor. Os que são chamados, ao responder ao chamado de Deus, se entregam a seu amor e realizam a entrega incondicional de sua vida, consagrando tudo, presente e futuro a Deus, abandonam-se confiantemente em suas mãos. Tudo isto é de capital importância na espiritualidade cristã para o Terceiro Milênio.

 

Doutora da experiência do amor de Deus que se transforma em comunhão e serviço.

 

18. A vivência da experiência é a nota chave de um mundo técnico-científico. Todas as coisas devem ser experimentadas, vistas de alguma forma. A espiritualidade cristã não é exceção a esta tendência. A experiência e o testemunho são aspectos centrais da vida cristã. Hoje isto se reveste de particular importância. Assistimos a uma reação contra um exagerado intelectualismo em matéria de fé e religião. Embora esta busca da experiência nos faça correr o risco da subjetividade e de um certo infantilismo espiritual, não podemos ignorá-la sem mais. As experiências espirituais são fonte de conheci­mento e de aprofundamento da relação com Deus.

    Teresa de Lisieux é mestra de uma autêntica experiência de Deus, que compromete no seguimento de Jesus. Ela nos ensina a experiência do contato com a palavra de Deus; o sentido de fraternidade que Cristo nos comunica e a exigência de respostas concretas guiadas pelo amor.

 

19. A tendência eclesial da espiritualidade de hoje nos fala de uma comunicação de todos em Cristo e no Espírito. Cumpre pôr todos os nossos dons a serviço da comunidade dos que crêem. Os vestígios da experiência e da doutrina de Teresa de Lisieux se encontram claramente presentes nesta dimensão da espiritualidade e da evangelização de hoje. Ela vive para a Igreja, Corpo de Cristo. Ela deseja viver todas as vocações para testemunhar e anunciar o evangelho nos lugares mais distantes da terra, até que, meditando os capítulos 12 e 13 da primeira carta aos Coríntios, descobre sua vocação e missão na Igreja: “Ó Jesus, meu Amor... encontrei , enfim, minha vocação... Minha Vocação é o Amor! Sim encontrei o meu lugar na Igreja, e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós que mo destes... No coração da Igreja , minha Mãe, eu serei o Amor... assim serei tudo!!!... assim será realizado o meu sonho!!![12].

 

20. Teresa de Lisieux, que viveu fortemente centrada em Deus como o único absoluto, dialogou com ele na oração, assumindo as necessidades de seus irmãos e irmãs. A partir deste dialogo, se entregou aos outros e viveu sua vocação para a salvação do mundo. No manuscrito C Teresinha dá uma preciosa orientação para uma autêntica espiritualidade no compromisso da nova evangelização:

“Assim como a uma torrente se lançando, com impetuosidade, no oceano, arrasta após si tudo que encontra à sua passagem, do mesmo modo, ó meu Jesus, a alma que mergulha no oceano sem fim de vosso amor, atrai consigo todos os tesouros que possui... Sabeis, Senhor, que não tenho outros tesouros além das almas que aprouvestes unir à minha.”[13]

 

    Esta convicção de Teresa de Lisieux, de que a autenti­cidade do nosso amor a Deus se manifesta na exigência do amor ao próximo, certamente influiu na espiritualidade de nosso século, sobretudo na espiritualidade do compromisso evangelizador. Sua experiência e sua doutrina ensinaram aos cristãos que, como em círculos concêntricos, a dimensão do amor fraterno vai se abrindo a horizontes cada vez mais amplos, todos eles com uma expansão que parte do amor de Deus. O primeiro círculo é o dos que estão mais próximos, já o mais amplo é o da humanidade inteira. A confiança e o abandono em Deus Pai-Mãe são em Teresa de Lisieux a fonte da caridade fraterna e do apostolado, expressão de amor a todos no desejo de transmitir-lhes a Boa Nova da salvação.

    Teresa de Lisieux traduz em vida a exigência evangélica do serviço aos pequenos e aos pobres, nos quais se descobre o rosto de Cristo (cf. Mt 25,31-45). A eles se revela Deus de modo especial (cf. Mt 11,25-27). Neste serviço, é preciso que estejamos dispostos a dar a vida pelo próximo, como Cristo, que pede ao Pai, se possível, afastasse dele o cálice do sofrimento e da paixão, mas vive aberto e disponível para cumprir sua vontade.

 

Doutora do caminho evangélico de santidade

 

21. Concluindo a Encíclica Redemptoris Missio, dedicada à explicação da permanente validade do mandato missionário de Cristo, João Paulo II afirma: “O chamado à missão deriva da vocação para a santidade... A vocação universal à santidade está estritamente vinculada à vocação para missão: todos os fiéis são chamados à santidade e à missão... A espiritualidade missionária da Igreja é um caminho para a santidade”[14]. Teresa de Liseux transformou esta doutrina em experiência vivida. Por esta razão foi proclamada patrona universal das missões junto ao grande apóstolo São Francisco Xavier. Nisto sua doutrina-experiência é de grande atualidade para a nova evangelização. Ela ingressa no Carmelo para alcançar, através de sua vida contemplativa, a santidade: Deus “me fez compreender ainda que minha glória não apareceria olhos mortais, que consistiria em me tornar uma grande Santa!!![15]. Desde o princípio teve convicção de que ingressava no Carmelo não para fugir do mundo, e sim para entrar nele mais profundamente. Sua experiência espiritual não é uma busca de refúgio frente a um mundo hostil, muito pelo contrário, era um oferecimento consciente ao martírio.

 

22. “Hoje mais do nunca é necessário um renovado compromisso de santidade... é necessário suscitar em cada fiel um verdadeiro anelo de santidade, um forte desejo de conversão e de renovação pessoal em um clima de oração sempre mais intensa e de solidária acolhida do próximo, especialmente do mais necessitado”[16]. Teresa de Lisieux une admiravelmente a santidade e a missão, é a autêntica con­tem­plação que compromete, a partir da própria identi­dade vocacional, na evangelização. Propõe assim, sem dicotomias, um caminho evangélico para testemunhar e anunciar a Boa Nova frente aos desafios do momento atual.

    Concentrando a santidade no amor, Teresinha ajuda a superar a separação entre contemplação e ação, porque é o amor que une as duas dimensões. Ela entrou na vida contemplativa para gozar de uma maior dedicação apostólica. Desta forma, revolucionou a relação entre ascética e mística. Pôs a tônica nesta última, por esta exigir que a abnegação evangélica seja vivida no dia a dia. Por isso, acima das mortificações corporais, colocou a mortificação originada do serviço aos irmãos: a capacidade de acolher, de compreender, de perdoar, de ajudar e ser solidária. Todas estas são grandes ensinamentos para que se viva a espiritualidade da nova evangelização.  

 

Doutora do caminho para a integração da pessoa.

 

23. Teresa de Lisieux, como todo ser humano, esteve sujeita aos condicionamentos próprios da vida humana. Viveu a experiência de um processo libertador do ponto de vista psicológico, que a conduziu à aceitação de si mesma e, portanto, lhe deu a capacidade de acolher, sendo plenamente madura, todas as limitações impostas por sua história pessoal.

    No mundo de hoje, se acentuam fortemente as tensões internas, as feridas espirituais e os condicionamentos de todo tipo que, tantas vezes, impedem que as pessoas se realizem. Teresa de Lisieux aprendeu a assumir sua própria vida limitada, imperfeita, condicionada pelo ambiente social, religioso e familiar, libertando-se deste modo de seu domínio para converter-se, com a graça de Deus, em uma pessoa livre que descobre o Deus de Jesus Cristo, fiel e misericordioso. Destarte, nos ensina a tudo aproveitarmos para crescer e amadurecer, de forma humana e cristã.

 

24. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face teve que lutar para vencer tudo aquilo que a impedia de ser ela mesma. Em seu caminho de amadurecimento humano experimenta o trauma da morte de sua mãe, que a afeta profundamente[17]. O amor a Deus e a amizade para com ele despertaram nela uma dinamismo libertador, capaz de orientar todos os condicionamentos para a integração da pessoa humana.

    Ela viverá dos quatro aos quatorze anos, um período doloroso. Deve enfrentar o ambiente escolar que, de certo modo, apresenta-se agressivo; bem como a entrada de sua irmã Paulina no Carmelo, sua segunda mãe. Em razão desta separação, cai gravemente enferma. Trata-se de uma enfermidade psicossomática. No futuro, é atormentada pelos escrúpulos[18].

    Todos estes sofrimentos atingiam sua hipersensibilidade: “quando começava a me consolar do sucedido, chorava por haver chorado”[19]. Vivia fechada em um círculo vicioso sem saber como sair.

    É, neste momento, que começa a percorrer o caminho de amor e da entrega a Jesus, que torna possível a cura total de sua hipersensibilidade na noite de Natal de 1886. Deste momento em diante, liberta-se das prisões interiores que a levavam a fechar-se em si mesma. Assim, pode abrir-se amplamente para a vida: estudos, contatos, natureza, viagens...

 

25. Para o homem e a mulher de hoje, atormentados por tantas experiências negativas no ambiente familiar e social, e que os conduzem a um sentimento de angústia e insegurança diante do futuro, Teresa de Lisieux mostra que o medo frente a incerteza de cada dia é vencido pela abertura ao amor de Deus e do próximo. Assim é que se vai adquirindo a paz e a alegria de saber que há um Deus pai misericordioso, que acompanha com seu amor e providência todos os seus filhos e filhas. A Santa apresenta ao mundo, doente de medo e de angústia o remédio do amor e da confiança em Deus e do serviço e entrega aos outros. Ela descobriu e nos transmitiu a verdade profunda de um Deus misericordioso que deseja comunicar-se plenamente a todos que estão abertos a ele.

 

Doutora da fé para o mundo da incredulidade

 

26. Um dos aspectos, em que transparece limpidamente a atualidade da doutrina de Teresa de Lisieux é o do ateísmo e da incredulidade. Já o Concílio Vaticano II, analisando o fenômeno do ateísmo contemporâneo, dizia que esta palavra designava realidades muito diversas: “Enquanto Deus é negado expressamente por uns, outros pensam que o homem não pode afirmar absolutamente nada sobre ele. Alguns porém submetem a questão teológica a uma análise metodológica tal, que reputam como inútil até a colocação da questão... Outros imaginam um Deus por eles rechaçado que nada tem a ver com o Deus do evangelho... Além disso, o ateísmo se origina não raramente de um protesto violento contra a existência do mal no mundo”[20].

    Deus quis que a experiência espiritual de Teresa de Lisieux a convertesse em interlocutora existencial com o mun­do da incredulidade. Ela conheceu a prova da fé em meio a um mundo que, em nome da ciência e do racio­nalismo, negava a existência de Deus e se voltava para o ateísmo.

 

27. Atualmente, os não-crentes se diferenciam daqueles do tempo da Santa. São os agnósticos ou indiferentes que buscam motivos para dar sentido à vida, após terem experimentado a frustração do fracasso da modernidade e de sistemas ateus e materialistas. Experimentam confusamente um apelo para o absoluto que preenche seu vazio existencial e satisfaz suas aspirações.

    Teresa de Lisieux enfrenta o problema da angústia diante da morte, a qual se acha no fundo também do ateísmo, que se pergunta sobre a existência de Deus e de uma outra vida. A Santa se viu de repente submergida no abismo dessas angústias e experimentou, na provação da fé, a angústia do nada. Viveu a privação do que ela chamava “o gozo da fé” ou “gozar desse formoso céu sobre a terra”[21]. Ela penetra em um mundo denso de trevas que a rodeiam e a desnorteiam. Parece ouvir que lhe dizem: “crês sair, um dia, dos nevoeiros que te cercam! Avante! Avante! Alegra-te com a morte que te dará não o que esperas, mas uma noite mais profunda ainda, a noite do nada.[22]

 

28. Em meio a isso tudo, Teresa de Lisieux conserva a fé e o amor. Assim sendo, sua experiência da noite escura da purificação se transforma em solidariedade dinâmica e fecunda com os que se encontram submergidos na incredu­lidade. Antes de passar pela provação de fé, ela afirma que não podia aceitar a existência de pessoas que não cressem: “não podia crer que houvessem ímpios sem fé. Achava que falavam por falara ao negar a existência do céu”. Após sua dolorosa experiência, convence-se do contrário: “Nos dias tão alegres do tempo pascal, Jesus fez-me sentir que há, verdadeiramente, almas que não têm fé”[23].

    Envolvida pela mais profunda escuridão a Santa não deixa de amar aquele em quem confia. Seu drama deriva do fato de viver simultaneamente a luz da fé e as trevas dos incrédulos. Nesse momento é que compreende a vontade de Deus desejando que ela ofereça pelos incrédulos os sofrimentos que vive no amor, sentando-se à mesa com os pecadores e comendo com eles o pão da provação[24].

    Existem testemunhos eloqüentes de conversões de fé frutos da leitura dos livros de Teresa de Lisieux. Muitos encontraram neles o verdadeiro rosto de Deus e, ao mesmo tempo, a luz para o drama de sua busca em meio às trevas e para a tentação da incredulidade. Isto faz com que sua mensagem seja atual para os afastados, os incrédulos e os indiferentes.

 

Teresa de Lisieux mulher, Doutora da Igreja

 

29. A experiência e a doutrina de Teresa de Lisieux adquirem especial valor nos nossos dias, quando se vão abrindo cada vez mais novas perspectivas de presença e ação para a mulher na sociedade e na Igreja. A mulher é chamada a ser “um sinal da ternura de Deus para o gênero humano”[25], e também para enriquecer a humanidade com o seu “jeito de ser feminino”. A jovem carmelita de Lisieux realizou as duas coisas em sua vida. Em seus escritos deixou provas claras e abundantes disto. Teresa do Menino Jesus transmite sua experiência espiritual por meio de um estilo feminino, verdadeiro, direto e próximo. Embora condicionada pela época em que viveu, não deixa de manifestar sua convicção evangélica na igualdade entre homem e mulher, e na importância de uma colaboração mútua como os discípulos de Jesus. Isto se manifesta, acima de tudo, em sua correspondência com seus irmãos missionários; partilha com eles suas experiências humanas e espirituais e não vacila ao expor-lhes seu modo de pensar sobre assuntos teológicos e de vivência cristã: sua idéia de justiça de Deus, o caminho da infância espiritual e a confiança na misericórdia divina.

 

30. Seu feminismo, tal qual de Santa Teresa de Jesus, desagua em um compromisso maior com o evangelho, superando os preconceitos que marginalizavam a mulher de seu tempo. Teresa de Lisieux viveu esta situação como mulher na sociedade e na Igreja dos fins do século XIX. No manuscrito “A”, ela conta, com clareza e senso de humor aquilo que passou durante sua viagem a Roma antes de entrar no Carmelo:

“Não posso compreender porque as mulheres são tão facilmente, excomungadas na Itália; a cada instante diziam-nos: “Não entreis aqui... Não entreis ali, ficareis excomungadas!... ”Ah! pobres mulheres, como são desprezadas!... Entretanto, elas amam a Deus em maior número do que os homens e, durante a Paixão de Nosso Senhor, as mulheres tiveram mais coragem do que os apóstolos, pois enfrentaram os insultos dos soldados e ousaram enxugar a Face adorável de Jesus... ”[26]

Sua condição de mulher, que expressa com o frescor e a sinceridade de uma pessoa livre, a conduz a uma reflexão evangélica: esta marginalização da mulher faz com que ela participe mais intimamente do desprezo de que Jesus foi objeto em sua paixão. As mulheres tiveram o valor de terem enxugado o rosto de Cristo. “Sem dúvida, é por isso que ele permite que o desprezo seja sua quota sobre a terra, pois o escolheu para Si mesmo... No céu, ele saberá mostrar que seus pensamentos não são os dos homens, pois então as últimas serão as primeiras... ”[27]. Jesus fez delas as primeiras testemunhas da ressurreição.

 

31. A mulher, que conquista espaços cada vez mais largos de participação na sociedade e na Igreja, certamente encontra em Teresa de Lisieux um estímulo para viver, como afirma João Paulo II, “uma cultura da igualdade entre o homem e a mulher”. Por outro lado, como foi pedido por Hans Urs von Balthasar por ocasião das celebrações do primeiro centenário de nascimento de Teresa de Lisieux, com sua mensagem ela abriu o campo teológico para a reflexão feminina: “A teologia das mulheres nunca havia sido levada a sério, nem assimilada pelos meios acadêmicos. Sem dúvida, após a mensagem de Lisieux, haveríamos de pensar nisso para realizar uma reconstrução da teologia dogmática, de acordo com a atualidade”[28].

    Isto responde ao que o documento pós-sinodal Vita Consecrata apresenta como novas perspectivas para a mulher na Igreja, ao dizer: “muito se espera do gênio da mulher também no campo da reflexão teológica, cultural e espiritual, não só no que diz respeito ao que é especifico da vida religiosa consagrada feminina, mas na compreensão da fé e em todas as suas manifestações”[29].

 

PRIVATE CONCLUSÃO

 

 

32. Deus novamente nos surpreende com esta nossa irmã, na qual tantos esquemas da lógica humana foram rompidos, para ressaltar a gratuidade da iniciativa divina que escolhe a quem quer e quando quer para realizar suas obras e manifestar a grandeza de seu poder e de sua ação em quem se abre confiadamente ao seu amor misericordioso para cumprir sua vontade.

 

    Com a proclamação de nossa irmã Teresa de Lisieux, doutora da Igreja, o Senhor nos confirma o que o Antigo Testamento afirmava e que o Novo Testamento veio apresentar em plenitude: que Deus se revela aos pequeninos, lhes dá sua sabedoria e lhes revela os segredos de sua vida e ação na história. De fato, o livro da Sabedoria afirmava, nos umbrais da vinda de Jesus: “a velhice honrada não é questão de longevidade; ela não se mede pelo número de anos; como cabelo branco é para os homens a prudência, e uma vida sem mancha equivale à idade avançada; tendo agradado a Deus, o justo foi por ele amado... em pouco tempo levado à perfeição chegou à plenitude de muitos anos” (Sab 4,8-10.13). No evangelho de Lucas, Jesus, repleto gozo no Espírito Santo, proclama a lógica divina, tão diferente da nossa: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isto aos sábios e aos inteligentes, e por tê-lo revelado aos pequeninos. Sim, Pai, foi assim que tu dispuseste em tua benevolência” (Lc 10,21).

 

33. O Senhor, Pai das luzes, do qual vem toda boa dádiva e todo dom perfeito (cf. Tg 1,17), com a proclamação de Teresa de Lisieux como Doutora da Igreja, deu mais um presente ao Carmelo. Trata-se de um dom gratuito que exige uma resposta de amor e de entrega generosa a nossa vocação e missão na Igreja e no mundo. Que nossa irmã Teresa de Lisieux nos alcance, junto ao Senhor, a graça de sermos seus colaboradores no testemunho e anuncio da Boa Nova para nossos irmãos e irmãs no Terceiro Milênio como autênticos seguidores de Jesus e em comunhão com Maria, a primeira que recebeu a alegre notícia da salvação e a proclamou com a alegria de quem descobre que Deus se dá gratuitamente aos pobres, aos humildes e aos simples.

 

 

Roma, 01 de outubro de 1997

 

 

Fr. Camilo Maccise, OCD   Fr. Joseph Chalmers, O. Carm.

 

 ---------------

     

[1].    .Tertio Millennio Adveniente (TMA) n.23

[2].    .A. Olival Junior, “Uma reflexão sobre o tempo; sentido do tempo milenar”, en: VV.AA.. Rumo ao Terceiro Milênio (São Paulo, 1997) p. 30

[3].    .cf. nn. 41-60

[4].    .Ib. n 42

[5].    .Ib.

[6].    .Ib.

[7].    .LG, 9

[8].    .PC, 15

[9].    .TMA, 51

[10].    .Manuscrito B Ir-v

[11].    .Carta 197, a Sor Maria do Sagrado Coração, 17/09/1896

[12].    .Manuscrito B, 3v.

[13].    .Manuscrito C, 34r.

[14].    .RM, 90

[15].    .Manuscrito A 32 r.

[16].    .VC, 39

[17].    .cf. Manuscrito A, 13 r.

[18].    .Ib. 39r.

[19].    .Ib 44v.

[20].    .GS 19.

[21].    .Manuscrito C 7r.

[22].    .Ib. 6v.

[23].    .Ib. 5v.

[24].    .Cf. Manuscrito C, 6r.

[25].    .VC, 57

[26].    .Manuscrito A, 66v.

[27].    .Ib.

[28].    .Cit, por G. Gaucher, Actualité de Sainte Thérèse de Lisieux, en Thérèse deLisieux et les missions. Mission et contemplation (Kinshasa, 1996) p. 127

[29].    .VC 58

 

     
[ English [ Italiano] [ Español] [ Français ] [ Deutsch]
[ ] [  ]

Updated 16 mar 2006 by OCD General House
Corso d'Italia, 38 - 00198 Roma - Italia
 ++39 (06) 854431  FAX ++39 (06) 85350206