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Abertos para
o futuro de Deus
Carta Circular dos Superiores Gerais
FR.CAMILLO MACISE OCD E FR.JOSEPH CHALMERS
O.CARM.
por ocasião dos 750 anos da Aprovação
definitiva da REGRA DO CARMO
por Inocêncio IV - 1º de outubro de 1247 e
1º de outubro de 1997 -
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Roma - 1997
Caríssimos irmãos e irmãs no Carmelo
1.
Neste tempo, quando celebramos em
comunhão com toda a Igreja o "Grande
Advento" do Terceiro Milênio de uma era
nova,
com os olhos fitos em Jesus, "autor e
aperfeiçoador da fé" (Hb 12,2), é dada à
Família Carmelitana a oportunidade de
celebrar neste ano de 1997 os 750 anos
da Aprovação Definitiva da Regra do
Carmo pelo Papa Inocêncio IV (1º de
outubro de 1247-1º de outubro de 1997).
2.
Aos irmãos-eremitas da recém-nascida
comunidade "carmelitana", que estava no
Monte Carmelo, foi entregue a Regra por
Alberto, Patriarca de Jerusalém, entre
os anos de 1206 e 1214, como fórmula de
vida (vitæ formula) em
consonância com o projeto de vida (propositum),
no qual já viviam por inspiração do
Espírito Santo. Com o discernimento
espiritual e autoridade, que estavam de
acordo com o seu desvelo pastoral de
Bispo e a par com a sua experiência de
religioso, membro dos Cônegos Regulares
de Mortara (Pavia), o Patriarca Alberto
reuniu os irmãos-eremitas na primeira
comunidade do Carmelo.
3.
No decurso dos tempos, a vitæ formula
de Alberto obteve várias aprovações dos
papas: Honório III (1226), Gregório IX
(1229) e Inocêncio IV (1245 e 1246). Mas
a intervenção com mais autoridade se deu
com a Bula Pontifícia do mesmo Inocêncio
IV Quæ honorem Conditoris datada
de 1º de outubro de 1247. Com esta
intervenção Inocêncio IV confirma as
correções, esclarecimentos e adaptações
feitas ao texto "albertino", por
exigência da situação dos Carmelitas já
presentes agora na Europa, aprova como
Regra o texto "albertino" já
corrigido e adaptado, e confirma a
transformação dos Carmelitas em
verdadeiros "religiosos" doravante
inseridos no leito do rio da
fraternidade evangélico-apostólica dos "Mendicantes",
de modo que possa "servir de ajuda, com
o auxílio de Deus, para a salvação
própria e do próximo".
1. «DAR A MAIS» t
4.
A decorrência dos 750 anos da aprovação
pelo Papa Inocêncio IV consideramo-la,
no momento, como um particular ano da
graça para toda a Família Carmelita,
um kairós, um tempo propício: não
somente para celebrar a memória do nosso
passado, mas, muito mais, para fitar os
olhos com sabedoria, discernimento e
coragem sobre o nosso futuro, ao
alvorecer do novo milênio, que já está
próximo.
E por isto, sintamos nosso o apelo, que
o Papa dirige a todas as pessoas
consagradas: "Não tendes apenas uma
história gloriosa que deve ser recordada
e transmitida, mas uma grande
história, que deve ser construída.
Olhai para o futuro, para onde o
Espírito vos lança para ainda fazer
convosco coisas grandiosas. Fazei da
vossa vida uma fervorosa vigília à
espera de Cristo e andai ao seu encontro
como as virgens sábias, que caminham ao
encontro do Esposo. Estejais sempre
preparados, fiéis a Cristo, à Igreja, ao
vosso Instituto e ao homem do nosso
tempo".
As palavras de Teresa de Jesus nos
estimulam a melhorar o nosso presente
com fidelidade criativa: "Não se diga
nunca sobre eles, como sobre certas
Ordens, das quais se contentam por
louvar os inícios. Agora nós estamos
começando. Procurem sempre estar
começando e caminhando para a frente, de
bem para melhor".
a) No dinamismo da fidelidade criativa
5.
Correspondendo ao apelo do Papa,
desejamos pôr em relevo aquela abertura
à fidelidade criativa - como hoje
a chamaríamos - que a nossa Regra, no
seu epílogo, nos confia quase como um
testamento: "Se alguém tiver dado a
mais, o próprio Senhor há de
recompensá-lo quando voltar. Todavia se
use da discrição, que é a moderadora das
virtudes".
Este é um critério de grande
discretio espiritual e de autêntica
visão ao longe, saído das mãos de
Alberto e típico da melhor tradição
monástica. Critério, que não considera
cada Regra como um texto "sagrado e
intocável", mas como um texto que tem o
caráter da essencialidade e que,
por isso, não tem a intenção de ter em
si toda experiência carismática
do autor e da comunidade, para a qual é
endereçada, nem pretende substituir-se
ao primado da Palavra, à mediação de
Jesus Cristo e ao dom pascal do Espírito
Santo. Em substância, está aqui a
grandeza e, ao mesmo tempo, o limite de
toda Regra.
A nossa Regra e os nossos Santos, que
são palavra viva, fizeram crescer o
nosso patrimônio espiritual. O carisma
que nos une é, por isso, maior do que
aquilo que os nossos predecessores nos
transmitiram por escrito e com a própria
vida. São eles que nos convidam a ir
para a frente, fiéis à graça da nossa
vocação e no jeito nosso criativo e
pessoal de encarná-la hoje. Para nós,
discípulos do Senhor, como diz São João
da Cruz, "ainda há muito para nos
aprofundarmos em Cristo"
O Patriarca Alberto segue este critério,
quando nos orienta a acolhermos o seu
"breve escrito" da Regra como um
itinerário pedagógico de sequela
Christi,
não fechado, mas aberto às
solicitações do futuro e posto sob o
primado absoluto da Palavra que,
palpitando no coração dos fiéis (cf. Lc
24,22), estimula a sempre "dar a mais"
(supererogaverit) ao se dar a si
mesmo (cf. Lc 10,35), a "caminhar além",
com discernimento, com a intenção de
ulteriores contribuições criativas
segundo as moções do Espírito.
b) Os "efeitos" na história do Carmelo
6.
É verdade, toda a história do Carmelo
podemos lê-la na perspectiva dos "efeitos"
desta discretio spiritualis, que
vem estimulando as várias gerações de
irmãos e irmãs carmelitas a saberem "dar
a mais", permanecendo substancialmente
fiéis aos valores carismáticos da Regra
e, contudo, criativos no confronto
dialético com os novos
desafios e diante da
possibilidade de "re-fundar" o projeto
de vida do Carmelo.
Pensemos na passagem que se realizou da
forma de vida eremítico-cenobítica para
a evangélico-apostólica dos "Mendicantes"
e nas figuras de santos pastores - por
exemplo, Santo Alberto de Trápani e
Santo André Corsini - e de sábios
teólogos. Pensemos também na releitura
dos modelos bíblicos de Maria e Elias e
na evangelização popular mediante a
devoção do Escapulário, pensemos no
brotar dos movimentos de reforma, nas
várias fundações e no amadurecimento de
itinerários espirituais de vida mística,
que em alguns casos marcaram época na
história da espiritualidade, como, por
exemplo, a experiência e a doutrina de
Santa Teresa de Jesus, de São João da
Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus.
Com um senso profundo do movimento da
História, disse Teresa de Jesus: "Fixem-se
os olhos sobre a estirpe daqueles santos
Profetas, dos quais descendemos. Quantos
santos no céu carregam o nosso hábito!
Tenhamos a santa presunção de, com a
graça de Deus, tornar-nos deles não
dessemelhantes".
No livro de formação para as suas irmãs,
O Caminho da Perfeição, e na
história dos "pombais da Virgem" (Fundações
4,5), Teresa de Jesus deixou
significativas indicações sobre a Regra
e sobre os "inícios". Nas Fundações
tem esta esconjuração: "Peço-vos no seu
nome, irmãs e filhinhas minhas, que
supliqueis sempre ao Senhor para
conceder-nos esta graça, e dar às que
vierem depois que se persuadam de que
deve em cada uma delas reflorescer a
Regra primitiva da Ordem de Nossa
Senhora (...)".
7.
E olhando para o nosso tempo, para estes
anos do pós-concílio, dirige-se o
nosso pensamento para todas aquelas
propostas de renovação das comunidades,
algumas das quais vêm tentando veredas
até agora inexploradas.
Como se dirige ainda o nosso pensamento
ao reflorescer de um surto de estudos e
reflexões sobre textos dos nossos
Santos, especialmente, Teresa de Jesus,
João da Cruz e Teresa do Menino Jesus,
cujo magistério espiritual é amplamente
reconhecido e valorizado na igreja
universal e no mundo inteiro. Além
disto, nos têm sido oferecidos novos
estudos sobre o texto da Regra, cuja
riqueza de conteúdo e atualidade podemos
redescobrir.
Este retorno às nossas fontes foi muito
importante e salutar para a vida de toda
a Família Carmelitana. Como o escriba do
Evangelho, tiramos para fora das páginas
deste tão breve escrito medieval
significados novos e velhos (cf.Mt
13,52), onde o antigo tornou-se novo e o
novo, justamente pela sua fidelidade ao
antigo, o reexpressou e reatualizou,
acompanhando as exigências vitais dos
nossos tempos.
8.
E também aqui os "efeitos" deste retorno
às fontes não se fizeram esperar. Basta
pensarmos na releitura da dimensão
eliano-mariana do Carmelo; na
revalorização histórica da figura de
Alberto, Patriarca de Jerusalém; no
interesse dentro das nossas comunidades
pela prática da lectio divina e
pela espiritualidade; no esforço de
animação espiritual da Família do
Carmelo expresso em tantas formas de
serviço por meio de pesquisas e ensinos
em centros de estudo, em casas de retiro
e de oração e na pastoral em geral: um
esforço cada dia mais selado com o
timbre da nossa espiritualidade;
pensemos ainda na colaboração entre
Carmelitas O.Carm. e OCD.
Por tudo isto sentimos alegria e damos
graças ao Senhor pelas maravilhas que
opera continuamente no meio de nós.
2. DESAFIOS DA HORA PRESENTE
9.
Não é vontade nossa firmar-nos somente
em engrandecer o que já existe.
Desejamos exortar a prosseguir no
aprofundamento da nossa Regra, seja sob
o ponto de vista de reflexão crítica,
seja também a nível
comunitário-existencial.
Façamos nossas as palavras do Papa, que
pede aos consagrados saibam oferecer o
seu "insubstituível contributo para a
transfiguração do mundo",
e aos jovens consagrados faz presente
que "o Terceiro Milênio conta com a
contribuição da fé e da criatividade
inventiva das fileiras dos jovens
consagrados, a fim de que o mundo se
torne mais sereno e seja capaz de
acolher a Deus e, em Deus, a todos os
seus filhos e filhas".
Para os tempos, que estamos vivendo e
que sem dúvida haverão de caracterizar
os anos do Terceiro Milênio, somos
convocados a "dar ainda mais", a
"revitalizar" a nossa forma vitæ
com sabedoria e discernimento,
tornando-a um sinal, que tenha sentido
para o homem e a mulher de hoje; a fazer
com fidelidade criativa "fermentar" os
valores da Regra para que melhore no
Carmelo a qualidade de vida espiritual e
a sua presença na Igreja e na sociedade
do nosso tempo.
10. Alguns eventos sócio-culturais, que
apareceram nestes anos, constituem
desafios para o nosso tempo. Estamos
conscientes de que, se os lermos com
discernimento, chegará até nós, nas
pregas destes desafios, "o que o
Espírito diz às Igrejas" (Ap 2,7) e se
revelará o sentido da nossa missão nos
dias de hoje. Por isso queremos
concentrar a atenção sobre aqueles
desafios, que nos parecem importantes
para o Carmelo hoje.
a) A busca do sentido de Deus
11. Sabemos como hoje é complexa e
ambivalente a demanda de religião ou de
espiritualidade por parte dos
contemporâneos nossos, especialmente
nestes tempos de transição. Os assim
chamados "retornos de Deus", quer no
âmbito eclesial, quer no de aproximação
às religiões, todos precisam ser
decifrados. Parece que podem ser
reduzidos a duas exigências: de uma
parte, à necessidade de segurança e de
pontos de referência mais confiáveis; de
outra parte, à necessidade de busca de
sentido e de transcendência, uma
necessidade presente em cada homem e em
cada mulher. Contudo é preciso discernir
ainda se a demanda de religião está
exigindo apenas uma religião
consolatória e intimista ou revelando
uma necessidade de "sensações" emotivas
fortes ou mirando um sincretismo
acomodatício, que faz amálgama de
elementos tomados de religiões diversas,
ou, então, se é mesmo uma verdadeira
busca de Sentido, de um fim
transcendental, que propicie direção à
própria vida.
Não é difícil ver neste novo clima o
interpelação para que se consiga
encontrar homens e mulheres, que saibam
falar de Deus com experiência e
conhecimento, e que deixem transparecer
o perfume de uma Presença; não é difícil
ver a exigência de maior, ativa e
responsável participação na vida
eclesial; a necessidade de encaminhar,
como parte integrante da ação
missionária, um adequado processo de
inculturação do Evangelho nos diversos
contextos culturais;
a importância de pôr em prática - e isto
como parte integrante da missão - o
caminho do diálogo com os irmãos das
outras religiões, reconhecendo nelas "as
sementes do Verbo", "os raios da
verdade, que iluminam os homens", e as
diferentes maneiras de dar testemunho da
presença de Deus no mundo.
b) O "outro" como dom e valor
12. Outro fenômeno cultural, que está
emergindo e ao qual desejamos prestar
especial atenção, diz respeito à
concepção, que se faz do homem. É
evidente que no mundo existem variadas
concepções do homem. Aí, muitas vezes,
devido a ideologias ou interesses
particulares, falta o senso pleno da
dignidade humana e das relações
interpessoais, e por uma parte se torna
mais forte a incidência do
individualismo e, por outra parte, a do
totalitarismo "comunitário". Muitas
vezes, quase como autodefesa, a pessoa é
levada a diversas formas de violência:
a guerra, a manipulação, os abusos de
todo gênero, as vindictas etc. Em tal
contexto o "outro" muitas vezes é visto
mais como ameaça do que como um dom,
mais como concorrente do que como irmão,
mais como problema do que como pessoa
que precisa ser amada.
Por outro lado, porém, a emergente
cultura da alteridade, em
antítese com o individualismo e o
totalitarismo "comunitário", é um outro
desafio positivo, que olha de perto para
nós, para nos garantir que o "outro" é
um dom e um valor irredutível, que está
a apelar para a minha solidariedade e
responsabilidade. É um desafio, que se
abre a intuições fecundas sobre como
viver e testemunhar a fraternidade.
c) A justiça social com riscos
13. Enquanto em algumas partes do mundo se
vive um forte individualismo, parece que
tudo se tornou próximo e
interdependente. O processo de
globalização favorecido pelo grande
desenvolvimento dos meios de comunicação
permitiu reduzir as distâncias à
proporção de uma "aldeia".
Neste contexto a economia está assumindo
uma posição forte e dominadora: na
realidade hoje se fala muito de
"globalização da economia de mercado".
Utilizando-se das fontes de recursos e
fazendo aumentar a produtividade e a
qualidade da oferta, a economia deveria
olhar para o bem comum numa atitude
positiva, isto é, fazendo crescer o
nível de vida de todos.
Vemos, porém, crescer sempre mais a
pobreza, que oprime dois terços da
população mundial, enquanto a riqueza se
concentra nas mãos de uns poucos. Nas
mãos de algumas grandes empresas
multinacionais, o assim chamado
"mercado" transformou-se de instrumento
regulador da economia em instrumento de
pressão ideológica, sem controle por
parte dos governos nacionais, de
maneira tal que acontece serem as
decisões tomadas num determinado lugar
da terra destinadas, num outro lugar, a
cobrir os povos de golpes, sem ter em
conta a sua soberania nacional e os
direitos fundamentais dos cidadãos.
O pretensão-guia de tal ideologia
chamada "neoliberalismo" é altamente
pragmática: é a acumulação de riquezas
que se torna fim de si mesma, é o lucro
pelo lucro para vantagem de poucos entre
os mais fortes.
Há na base desta ideologia uma visão
individualista do homem, que absolutiza
a própria capacidade produtiva de renda
econômica, exalta a competição a campo
aberto e alimenta a sua avidez de
possuir com prejuízo dos outros e do
meio ambiente.
É necessário, nesta situação,
comprometer em primeiro lugar a nós
mesmos, e sob a luz dos valores do
Evangelho que modelam a nossa vocação,
oferecer a nossa "contribuição para a
humanizar o mundo"
com um renovado e vigoroso testemunho
evangélico de abnegação e sobriedade,
com um estilo de vida fraterna inspirada
em critérios de simplicidade e
hospitalidade".
d) A Vida Consagrada como sinal
14. Pretendendo, enfim, dar atenção ao mundo
da Vida Consagrada, não podemos deixar
de olhar para o evento do recente Sínodo
sobre a Vida Consagrada e para a
Exortação pós-sinodal pontifícia, que se
lhe seguiu.
Aqui pretendemos apenas salientar um
desafio que nos lança a carta
pós-sinodal: o desafio da
transparência. O Papa, muitas vezes,
acompanhando a Lumen Gentium,
fala sobre a Vida Consagrada como sinal,
ícone, imagem, testemunho, "espelho da
beleza divina" etc. Pede que, na
tríplice dimensão de consagração,
comunhão e missão, a Vida Consagrada dê
testemunho de ser memória viva do
modo de Cristo Jesus viver e seja no
meio da humanidade débil e frágil sinal
dos seus chamados, sinal de uma
existência transfigurada pela luz do
Ressuscitado, sinal de um caminho
místico que torna visível a
superabundância da gratuidade divina.
Para se viver nesta perspectiva, o Papa
nos exorta a abandonar uma concepção
utilitarista e funcional de vida
consagrada
e efetuar o nosso Êxodo para uma
concepção mais teologal e profética,
onde a qualidade de vida de um
Instituto religioso é prioritária.
Não por acaso se insiste, de fato, que é
preciso melhorar a qualidade
espiritual das Famílias de Vida
Consagrada, entendendo por
espiritualidade um itinerário dinâmico
de vida em Cristo, de vida segundo o
Espírito, concretizada "num projeto
concreto de relacionamento com Deus e
com o meio ambiente e que se
caracteriza por uma particular
acentuação espiritual e por decisões
operacionais,
que evidenciem e representem ora um,
ora outro aspecto do único mistério de
Cristo".
Da sua qualidade mística e espiritual, e
não do número das pessoas e das obras,
há de auferir a Vida Consagrada aqueles
recursos apropriados para ser "um forte
testemunho profético"
e uma "terapia espiritual para a
humanidade".
3. CAPACIDADE QUANTO AO FUTURO
15. Se estes são reais desafios do nosso
tempo que, apesar da complexidade dos
acontecimentos, se nos abrem no
horizonte do futuro de Deus e, se entre
tantas fontes de inspiração hoje
existentes na Igreja, temos nós a Regra
como texto inspirador da nossa
espiritualidade e da missão do Carmelo,
perguntamo-nos: "Como reler esta nossa
Regra antiga de modo que ainda se torne
um texto vivo e sempre novo para toda a
Família Carmelitana que está a caminho
para o Terceiro Milênio?"
a) Dimensão contemplativa e crescimento
em Cristo
16. A busca de uma autêntica experiência de
Deus, que interpela os nossos
contemporâneos, muito nos fascina, mesmo
porque passa muitas vezes pelo diálogo
com os nossos santos. A procura de Deus,
"nome novo da contemplação",
nasce "da meditação da Palavra, da
oração pessoal e comunitária, da
descoberta da presença e da ação de
Deus na vida, e ao mesmo tempo da
compartilha desta experiência com todo o
Povo de Deus".
Tal perspectiva nós a sentimos bem
próxima do Carmelo.
A nossa Regra, de fato, embora sem usar
deste léxico, traça na realidade um
itinerário de experiência contemplativa
fortemente radicado no horizonte
teológico da centralidade de Cristo
e profundamente ancorado em alguns
momentos espirituais, essenciais
para a vida da pessoa e da comunidade.
Esta centralidade de Cristo tem sido
desenvolvida em toda a nossa tradição
como, de modo particular, atesta a
experiência e a doutrina de Santa Teresa
de Jesus
e de São João da Cruz.
17.
O horizonte teológico da centralidade
de Cristo envolve a Regra toda.
Nas suas linhas essenciais, ela, na
verdade, nos propõe viver um caminho de
transformação e de crescimento em
Cristo.
Move-se tal caminho na ótica do
"obsequium Jesu Christi". É a
afirmação - podemos hoje dizer com o
Vaticano II - do primado da sequela
Christi considerada como a "norma
fundamental", a "regra suprema" da vida
cristã enquanto vida cristã e, por isso
mesmo, da Vida Consagrada;
norma que orienta e dá sentido a todo o
projeto de vida delineado pela Regra.
No início da Regra, verdadeiramente se
encontram expressões muito densas
referentes à sequela, expressões
de clara inspiração paulina; "viver no
serviço e seguimento de Jesus Cristo"
indica a sequela como obediência
da fé (cf. 2Cor 10,5) e como culto
existencial, dom de si mesmo a Deus e
aos irmãos (cf. Fl 2,17.30 e Rm 12,1);
"servir a Ele fielmente, de coração puro
e boa consciência" indica o
comportamento espiritual, que favorece
um autêntico seguimento de Cristo, que
é, respectivamente, entrega pessoal
incondicional Àquele que é o Senhor da
História (cf. Cl 3,24), integridade de
vida e uma consciência capaz de decisões
coerentes segundo o Evangelho (cf. 1Tm
1,5.19).
Tudo isto quer dizer que a experiência
contemplativa toda se orienta a fazer
crescer a vida dos irmãos na
obediência da fé e no dom de si
mesmos segundo a medida de Cristo
Jesus, dAquele que recria em nós com o
dom do seu Espírito o homem novo.
18. Mas como crescer na obediência da fé e
no dom de si mesmos? Neste ponto a nossa
Regra é muito concreta. Sem demora se
consolida sobre os três pilares
fundamentais da vida cristã: Palavra,
Liturgia, Caridade. Uma autêntica
procura de Deus, no sentido cristão,
nasce, cresce e vai amadurecendo sempre
mais, se for assídua na escuta orante da
Palavra,
se fizer sua a oração de Jesus ao Pai
por meio da oração dos salmos celebrada
na Liturgia das Horas,
se viver a Eucaristia como a convocação
dos irmãos para o redor de Cristo
Senhor, a fim de serem regenerados no
mistério pascal e plasmados para a vida
nova,
se for animada pelo Espírito de Caridade
nos relacionamentos interpessoais.
É um ponto onde nos encontramos bem
distantes da tentação de fazer da busca
de Deus uma procura de nós próprios
apenas ou de cair num espiritualismo
vazio e abstrato. Aqui somos conduzidos
ao centro e à fonte da
experiência contemplativa:
encontramo-nos diante de uma Presença
viva e vivificante, diante do Rosto
do Deus de Jesus Cristo, que nos
interpela e nos transforma em Si mesmo.
19. Os sinais visíveis desta ação
transformadora de Deus em nós a Regra
no-los indica de modo concreto e
essencial. Detenhamo-nos, por um
momento, a refletir sobre as exortações
à compartilha dos bens,
à sobriedade de vida,
ao revestimento das armas espirituais,
isto é, à assimilação-interiorização da
lógica do agir divino para aprendermos a
enfrentar os conflitos da vida de cada
dia;
a refletir sobre a exortação ao trabalho
como dom de nós mesmos aos irmãos,
seguindo os ensinamentos e o exemplo do
Apóstolo Paulo;
sobre a exortação ao silêncio como
pedagogia sapiencial para uma autêntica
comunicação entre irmãos;
e sobre a exortação ao prior e aos
irmãos a viverem com maturidade o amor
fraterno, uns e outros obedecendo à
palavra de Cristo, que chama ao serviço
mútuo.
Detenhamo-nos também a refletir sobre
aquelas passagens da Regra, que exortam
a estar em atitude de espera do Senhor
em oração vigilante,
na operosa esperança da sua Salvação,
na generosa criatividade de dar "a mais"
pela vida dos irmãos.
Em todos estes trechos havemos de
encontrar indicações suficientes para
verificarmos se estamos realmente
aprendendo a ser homens e mulheres de
contemplação, se na verdade sabemos
olhar para a realidade com os olhos de
Deus e discernir os sinais dos tempos,
se a Palavra de Deus habita
abundantemente na nossa boca e no nosso
coraçãob,
e se ela, somente ela, guia e orienta o
nosso agir.
b) No horizonte teológico da
fraternidade
20. A Vida Consagrada tem o mérito de
"manter viva na Igreja a exigência da
fraternidade como confissão da Trindade"
e de testemunhar "que a
participação na comunhão
trinitária pode mudar os relacionamentos
humanos, criando um tipo novo de
solidariedade".
Sob a perspectiva da vida fraterna em
comunidade, a Regra exorta à escuta da
Palavra: pessoalmente, na lectio
divina,
e comunitariamente, na mesa em comum,
para se permanecer radicados em Cristo e
em profunda comunhão com Ele. Exorta à
oração comunitária
que, nos louvores sálmicos das
maravilhas da salvação, confessa a nossa
condição de filhos e de irmãos perante
Deus Pai. Exorta ainda a viver a
centralidade da Eucaristia
como sacramentum fraternitatis e
convocação dos irmãos para o redor do
Senhor da comunidade, a fim de reavivar
nEle, no dinamismo do mistério pascal, o
dom da unidade na diversidade das
pessoas.
21.
O dom da unidade na diversidade
encontra, em seguida, a sua máxima
concretização vital no dinamismo
teologal da Ágape, que é o Amor
divino. É por isso que a Regra nos
exorta a consolidarmos, nas reuniões da
comunidade, o caminho unitário da
fraternidade, tornando-nos "guardas" uns
dos outros e atentos ao bem espiritual
das pessoas, e recuperando, com uma
caridade desarmada, o irmão que está em
erro.
22. No dinamismo teologal da caridade seja
considerada também a acentuação sobre a
solidariedade com o outro. A Regra, de
fato, não pretende pôr a ênfase sobre a
comunidade com prejuízo da pessoa; ao
contrário exorta-nos com sábio
equilíbrio a reconhecer a dignidade da
pessoa e a valorizá-la, oferecendo-lhe
um espaço que lhe seja próprio, que deve
ser respeitado fielmente,
de modo que se dedique ao trabalho e não
seja peso para ninguém,
mas equilibrada no falar;
exorta-nos mais a estarmos atentos às
suas necessidades de caráter cultural
ou inerentes à saúde física,
e ainda a sermos solícitos e
respeitosos, seja para com os que chegam
de fora, amigos, hóspedes e outros,
seja para com os que nos oferecem
hospedagem.
23. Ter solicitude para com os que chegam de
fora ou mostrar benevolência para com os
que nos oferecem hospitalidade empenha a
fraternidade a não se fechar dentro si,
numa fácil complacência consigo mesma,
mas a saber abrir-se ao intercâmbio
recíproco de dons: trata-se de saber dar
como também de saber receber com
gratidão tudo o que de bom, de
iluminativo e de profético provém dos
outros.
24. Edificar-se como comunidade de irmãos
aberta ao outro, quem quer que
seja - à imagem da Jerusalém celeste,
cujas "portas não se fecharão nunca
durante o dia" eterno (Ap 21,25) - faz
com que a própria comunidade, no seu
estilo de vida, faça resplandecer o
valor profético da fraternidade.
Reconhecer em cada homem e em cada
mulher uma pessoa, junto a quem nos
tornamos companheiros da viagem rumo à
construção do Reino, permitirá a toda
fraternidade carmelita enfrentar numa
longa visão e com paciência os nódulos
da História e saber com parrésia
e coragem profética permanecer sobretudo
naqueles lugares, onde o rosto do irmão
é arrenegado ou desfigurado.
c) Partilha, sobriedade e silêncio
25. Consideramos estreitamente conexo com a
perspectiva da alteridade o desafio da
justiça social nos dias de hoje,
justiça, que está posta em risco por "um
materialismo ávido de possuir,
desatento às exigências e sofrimentos
dos mais fracos e privado de qualquer
consideração até pelo próprio equilíbrio
dos recursos naturais".
26.
A Regra do Carmo delineia um projeto de
vida atento às exigências do outro e às
suas legítimas necessidades. Coloca a
sua atenção bem no íntimo dos valores
evangélicos da pobreza-partilha,
do jejum-abstinência
e do silêncio.
O valor evangélico da pobreza-partilha
ajuda a despojar-nos de toda forma de
apropriação e antagonismo, que sem
dúvida geram avidez de possuir, e ajuda
a saber dar às coisas a justa medida e
compartilhar com generosidade os bens
materiais e espirituais em benefício da
utilidade comum e, especialmente, dos
mais pobres. O valor do
jejum-abstinência, que se vive como
caminho pascal de libertação de todos os
falsos ídolos, para acolher o Senhor
como única riqueza do coração humano,
educa-nos para a limitação espontânea
das exigências e para uma vida
sóbria,contente com o essencial. O
silêncio, que não se deve confundir com
o mutismo, convida a pessoa a "pôr na
balança" as palavras, antes de falar, e
a escutar o outro com atenção para
apreender o verdadeiro significado do
que ele diz.
A compartilha, que dá a garantia de
ninguém estar passando necessidade, o
silêncio, criador das condições para uso
da palavra correto e libertador, e a
prática do jejum e da abstinência, que
ensina o justo valor da gratuidade
divina, distinguem-se dos mecanismos
criadores de desigualdades, de
injustiças e de empobrecimentos, e nos
permitem identificar a presença destes
males e os seus efeitos.
27.
A comunidade dos irmãos e das irmãs não
poderá ficar insensível à causa dos
empobrecidos, que estão sempre mais numa
situação destas por razões de mercado e
pelo peso das dívidas externas. A
comunidade, redescobrindo os caminhos da
sobriedade e do que é essencial e em
companhia de todos os que estão
empenhados na causa da justiça, da paz e
da salvaguarda da criação, ajudará a
fazer tomar-se consciência de que não há
um futuro para a terra se não se
descobrir o sentido do limite de
qualquer presumido desenvolvimento e a
urgência de uma autolimitação das
exigências. Somente nesta tomada de
consciência poder-se-á fazer justiça a
todos os que são cortados fora do
banquete da vida.
Com base neste raciocínio, um caminho
prático para o Carmelo será submeter a
exame e discernimento, pessoal e
comunitário, o teor de vida, o nível e
qualidade do que se consome, o gasto do
dinheiro e, ao mesmo tempo, aderir a
todas aquelas iniciativas, que proponham
formas de economia justas, alternativas.
d) Espiritualidade como sabedoria de
vida
28. Sob a luz da carta pós-sinodal, vemos
estreita relação entre a exigência
prioritária de espiritualidade e o
desafio da transparência para a Vida
Consagrada hoje. Ser sinal profético "de
uma superabundância de gratuidade" vai
depender muito de quanto é intensa e
como é boa a caminhada espiritual das
pessoas e das comunidades. "Aquilo que
aos olhos dos homens pode parecer
desperdício, para a pessoa seduzida, no
segredo do seu coração, pela beleza e
pela bondade do Senhor, é uma clara
resposta de amor".
Os nossos místicos, mestres de
sabedoria, convidam-nos ao conhecimento
sapiencial, para vivermos uma vida
contemplativa, que é amizade e diálogo
com Deus.
29. Sobre o pano de fundo destas afirmações
mostra-se ainda mais sedutor para hoje o
projeto de vida delineado pela Regra.
Ela não se move na perspectiva da
funcionalidade, mas na da
projetividade sapiencial, que
pretende ensinar "a arte do bem viver"
em harmonia com Deus, consigo mesmos,
com os outros e com o ambiente. A Regra,
em substância, educa-nos para aquela
espiritualidade, que deseja ser
sabedoria de vida que tem como
elementos fundamentais a centralidade de
Cristo e a sua palavra, uma estrutura de
relacionamentos humanos dentro e fora da
comunidade, e o revestir-se da armadura
de Deus transformadora da nossa vida nas
suas várias dimensões.
30.
O texto da Regra, além disto, propõe-nos
outros valores que formam o mosaico da
nossa vida. Por exemplo: o modo de
viver o tempo, onde a prioridade é,
sem mais, o tempo dedicado à oração, o
silêncio, o trabalho, o tempo ocupado
com os irmãos, seja no diálogo
comunitário,
seja - como já vimos - na solicitude
pelas suas necessidades, seja ainda no
acolhimento dos que vêm chegando,
seja também no anúncio da Palavra.
Pedagógicas são igualmente as alusões da
Regra à memória viva do passado,
à projetividade criativa para o futuro,
à fidelidade à própria vocação, que se
deve viver agora, no presente, de modo
especial, nos tempos difíceis e obscuros.
31. Outras indicações de caráter sapiencial
dizem respeito à relação
comunidade-ambiente.
Significativa é a exigência de osmose
entre a forma de vida consagrada e a
escolha do lugar para se viver.
Não é qualquer lugar que, por isso
mesmo, seja apropriado. Precisa-se
discernir, para fazer com que até mesmo
as estruturas "falem" por si sobre a
nossa espiritualidade. Por exemplo, a
disposição das celas no Monte Carmelo em
volta da capela expressava da dinâmica
de uma transformação, que vai do
indivíduo para a comunidade e da
comunidade para o indivíduo.
Significativa e atual é também a
harmonia, que deve realizar-se com o
ambiente, no espírito de se adaptar à
situação do lugar e às suas reais
possibilidades,
de modo a se construir um hábitat mais à
medida do homem e respeitoso do bem
comum.
CONCLUSÃO
32. Os 750 anos da aprovação da Regra do
Carmo pelo Papa Inocêncio IV,
considerados no contexto da caminhada da
Igreja rumo ao Terceiro Milênio, abrem
para a Família Carmelita perspectivas
humanas e espirituais de muita
atualidade e fecundas.
Se o Carmelo souber atualizar
criativamente os valores essenciais da
sua vocação, permanecendo fiel ao
primado da Palavra de Deus, às
orientações do Magistério Eclesiástico,
à sua experiência carismática e às
expectativas do homem do nosso tempo, o
próprio Senhor, "quando voltar, o
recompensará"
e não deixará de fazer
com que o seu
"regaço" transborde (cf. Lc 6,38)
de uma vida transfigurada na Beleza do
Cristo Ressuscitado.
A Santa Maria, Àquela a quem foi
dedicada a primeira igrejinha do Monte
Carmelo, volvamos os nossos
agradecimentos, recordando-nos das
palavras de Teresa: "E vós, filhinhas
minhas, (...) agradecei a Deus por
serdes as verdadeiras filhas desta
Senhora; posto que tendes nela tão
grande Mãe (...), imitai-A. Considerai a
grandeza e a vantagem que temos de tê-la
por nossa Patrona".
À Virgem, que é nossa Mãe e Irmã na fé,
vos confiamos, a vós, toda a Família do
Carmelo, para que possais "viver no
obséquio de Jesus Cristo e servi-Lo
fielmente de coração puro e boa
consciência".
-----
. Cf. João Paulo II Tertio
Millennio adveniente 23.
. Inocêncio IV Paganorum
Incursus de 27 de julho de
1246.
Ed. Adr. Staring
Four Bulls of Innocent IV in
Carmelus 27 1980
p.282.
. João Paulo II Vita Consecrata
110.
.
"Viver no seguimento e serviço
de Jesus Cristo" (Regra
prólogo). "Se alguém tiver dado a
mais, o próprio Senhor, quando
voltar, o recompensará" (Regra
epílogo).
. João Paulo II Vita Consecrata
110.
. João Paulo II Redemptoris Missio
55-56.
. Conta-nos Santa Teresa:
"Entretanto as monjas
vinham sendo estimadas cada
dia mais; no meio do povo eram tidas
em grande consideração (...).
Observavam a Regra e as
Constituições (...). Enquanto isto o
Senhor começou a chamar algumas
jovens (...)" (Fundações
3,18).
. João Paulo II Vita Consecrata
104.
. Dizia Santa Teresa:
"Sendo tais as minhas companheiras
como eu as havia prefigurado nos
meus desejos" (Caminho da
Perfeição 1,2).
. João Paulo II Vita Consecrata
93.
. João Paulo II Los caminos del
Evangelio 25.
. Vaticano II Perfectæ Caritatis
2a).
. Note-se que nestes
textos da Bíblia a
Vulgata usa a palavra
obsequium.
.
Regra 7 (OCarm); 8 (OCD).
. João Paulo II Vita Consecrata
41.
.
Regra 4 (6). Hoje, embora não
desprezando tal uso
antigo e nobre, se dá preferência a
outros lugares e a outras formas
mais participativas de "lectio
divina" comunitária.
.
Regra 3 e 5 (4 e 7). Queremos
lembrar que em 7
(8) tal "espaço pessoal" está
substancialmente destinado à
meditação assídua da Palavra do
Senhor e à oração.
.
Regra 9, 12, 13 (10, 14, 15).
. Vaticano II Gaudium et Spes
44.
. João Paulo II Vita Consecrata
89.
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