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Ildefonso
Moriones OCD
O CARMELO TERESIANOPáginas de sua história Tradução do original de Vitoria |
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TERESA DE AHUMADA, MONJA CARMELITA |
C O N T E N T S
CAPÍTULO IITERESA DE AHUMADA,
MONJA CARMELITA Diferentemente das Beneditinas ou das Clarissas, por exemplo, que com Santa Escolástica e Santa Clara iniciaram o ramo feminino das respectivas Ordens paralelamente ao ramo masculino, as Carmelitas tardaram dois séculos e meio em adquirir sua plena configuração jurídica, à qual chegaram através de uma longa evolução.
Do período eremítico da Ordem não há notícia sobre a
existência de monjas Carmelitas. Em troca, quase desde sua chegada à
Europa, os Carmelitas foram acolhendo sob sua direção e fazendo
partícipes dos tesouros espirituais e privilégios da Ordem, mulheres
piedosas, de acordo com os costumes da época e segundo as diversas
formas de participação dos seculares na vida dos religiosos,
desenvolvidas durante a Idade Média.
A Bula Cum Nulla de
Nicolau V constitui um momento decisivo na história das Carmelitas,
concedida a pedido da comunidade das beatas carmelitas de Florença em
1452. É tal a importância do documento, que se pode considerar essa
data como a da fundação da segunda Ordem Carmelitana. E como a Bula
foi expedida durante o generalato de Soreth, que se interessou
grandemente pela organização da vida das Carmelitas e fundou
pessoalmente várias comunidades, pode-se considerar o Beato como o
fundador das Carmelitas. Na realidade a Bula de Nicolau V coroa um
longo período evolutivo, que poderíamos chamar de pré-história, e
abre uma nova etapa em que as Carmelitas contam já com sua própria
história. Desde 1452, com efeito, fundaram-se mais de 180 mosteiros,
dos quais 59 ainda subsistem.
A história das Carmelitas tem sido pouco estudada e pouco
conhecida até quase nossos dias. A grande diversidade de costumes e
leis existente entre os conventos dificultava também o trabalho.
Ultimamente adiantou-se muito nesse campo: a revista Carmelus
dedicou o primeiro fascículo de 1963 ao estudo do tema As monjas carmelitas até Santa Teresa de Jesus, e pouco depois o P.
Catena publicou uma monografia dedicada à história e espiritualidade
das Carmelitas
[1]
.
Esses estudos põem em relevo a vitalidade do ramo feminino da
Ordem e, ao mesmo tempo, a grande variedade de vida, costumes e
legislação existente entre os diversos mosteiros. Se o Beato Soreth,
por exemplo, criou um núcleo de mosteiros bastante homogêneo na
França e nos Países Baixos, sua influência na Itália e Espanha foi
quase nula. Com freqüência os mosteiros são fruto de uma
transformação paulatina de grupos de beatas que, ao ir participando
cada vez mais plenamente da vida da Ordem, convertem-se em monjas
propriamente ditas, adotando sua Regra e Constituições. Cada
mosteiro, poderíamos dizer, segue sua trajetória histórica própria,
que deve ser estudada detidamente, evitando a tentação de aplicar a
uma situação concreta, às vezes pouco conhecida, critérios de
interpretação ou leis que não lhe pertencem.
Tudo isso convém ter em conta ao aproximar-se do estudo de
Santa Teresa, monja carmelita. A jovem Teresa de Ahumada faz-se
carmelita no mosteiro da Encarnação de Ávila, recebendo a herança
dos primeiros ermitães do Carmelo, enriquecida por três séculos de
tradição, e condicionada ao mesmo tempo pela configuração
histórica da comunidade na qual aprende a vivê-la.
Sobre a situação do Carmelo espanhol, no momento de Santa
Teresa entrar nele, e sobre o estado do mosteiro da Encarnação de
Ávila em particular, lançaram uma nova e decisiva luz os estudos do
P. Otger Steggink
[2]
. Recolhamos em síntese os elementos mais importantes.
Na Espanha havia, naquele período, onze conventos de monjas
Carmelitas: 7 em Andaluzia, 3 em Castela e um em Valência. Cada
mosteiro procedia de um grupo diferente de pessoas. Todos tinham
começado como beatérios, evoluindo mais ou menos rapidamente para a
plena configuração religiosa. Alguns tinham chegado inclusive à
forma jurídica de sanctimoniales,
adotando as leis da clausura papal. Outros não tinham introduzido
ainda a clausura. Cada um tinha sua fisionomia própria, como é
natural: ainda que professavam a mesma Regra, podiam ter
constituições e costumes diferentes.
Também é lógico que estes mosteiros, tendo sido em sua
origem grupos de
seculares que se haviam reunido para ajudar-se mutuamente a viver seu
ideal de vida cristã, mantivessem costumes que em um ambiente
estritamente religioso se julgassem imperfeições. O contato com seus
amigos e familiares, conversas de puro passatempo, o fato de perdurar
um pouco as diferenças sociais, compreende-se perfeitamente nas
diversas fases de evolução destas casas. Por isso, mais que
olhá-las à luz de uma legislação posterior, crendo que tinham
decaído de seu fervor primitivo, há que considerá-las a caminho
para uma assimilação cada vez maior do ideal religioso. A partir
desta perspectiva histórica, valoriza-se muito melhor a realidade do
Carmelo feminino anterior a Santa Teresa.
O mosteiro da Encarnação de Ávila, onde Teresa de Ahumada
vestiu o hábito da Virgem a 2 de novembro de 1536, após um ano de
postulantado, tinha nascido em 1478, também como beatério,
transformando-se sucessivamente em mosteiro carmelitano. Em 4 de abril
de 1515, coincidindo com o batismo de Teresa, inaugurou-se a nova
casa, ampla e espaçosa, que reuniria sob seu teto a parte mais
ilustre da nobreza de Ávila, chegando a reunir cerca de 200 monjas.
No ambiente da Encarnação Teresa encontrou refúgio ao fugir
da casa paterna, encontrou a amizade de Juana Suárez e o apoio de uma
mestra de noviças bem formada que a introduziu nos segredos da vida
religiosa e lhe falou dos seus gloriosos antepassados no Carmelo. Em
meio da confusão causada pelo excessivo número de monjas, não todas
dotadas de verdadeira vocação, pôde discernir também um núcleo
sadio e desejoso de levar a sério a vida religiosa. Basta recordar
que 30 delas passarão aos mosteiros da madre Teresa e 22
perseverarão neles. É também significativo que outras religiosas
pedissem a Rubeo que corrigisse na Encarnação muitos dos pormenores
que Teresa retocou ao fundar São José.
Teresa de Ahumada aprendeu, pois, a ser monja Carmelita em um
ambiente histórico determinado, com muitos elementos positivos e com
outros muitos que ela, à medida que foi amadurecendo em sua vida
interior e em sua experiência de Deus, foi julgando negativos e,
inclusive, prejudiciais para algumas almas. E após 27 anos dessa
experiência concreta, inspirada pelo Espírito Santo, concebeu a
idéia de criar um convento mais simples e menor, no qual se pudesse
viver o ideal religioso carmelitano sem os inconvenientes que trazia
consigo o ambiente da Encarnação.
E neste sentido, a experiência da Encarnação influi também,
de maneira reflexa, no novo mosteiro que Teresa fundará. Quais são
os elementos negativos que ela tratará de evitar ou prevenir desde o
início?
Em primeiro lugar, o excessivo número de monjas. Na tradição
da Ordem não existia nenhum limite a este respeito. Cada comunidade
crescia segundo o número de pessoas que se iam associando a ela e
segundo a capacidade da casa na qual se habitava (a média nas
comunidades carmelitanas do século XVI era de umas 45 monjas). A
Santa tinha visto o que eram 180 mulheres juntas. E para evitar que se
criasse uma situação semelhante, pensou no número de 15 como limite
máximo, que logo ampliou para 20. Sua casa devia ser um pequeno
colégio apostólico.
Rompe também desde o princípio com o costume de exigir dote
das que quisessem entrar em seu mosteiro. “Contentes
com a pessoa, se não tem
nenhuma esmola para dar à casa, nem por isso se
deixe de receber”. O beatério ou o mosteiro podia converter-se
para muitas, em uma pensão vitalícia, onde, pago o dote ao entrar,
tinham direito a ser mantidas o resto de sua vida. Teresa põe o
acento nas qualidades pessoais e na verdadeira vocação religiosa da
postulante.
Outra inovação notável da Santa será a absoluta igualdade e
espírito fraterno entre todas. Como dizíamos acima, as diferenças
sociais estenderam-se também aos mosteiros e foram muitas as monjas
que na visita de Rubeo queixaram-se dos inconvenientes que disso
provinham.
Quanto à clausura, a atitude da Santa é muito decidida: “Com grandíssimo encerramento, assim de nunca sair, como de não ver sem
levar o véu diante do rosto”. Era o melhor modo de acabar com todos os
ressaibos de trato excessivo com seculares que continuavam vivos na
Encarnação, e de fechar-lhes a porta para que não tornassem a
entrar no futuro. Note-se que a Santa diz expressamente que pode-se
falar sem véu com pais, irmãos ou “casos
tão justos como estes”, a juízo da priora. A norma não é um
valor absoluto em si, senão um meio para afugentar visitantes
importunos: “é importante que
quem nos vem visitar parta com algum proveito e não seja perda de
tempo para eles como para nós”.
A Santa também se opõe terminantemente ao regime tradicional
de vigário-confessor, que tinha uma certa jurisdição sobre as
monjas, podendo intervir em assuntos de disciplina, conceder
permissões, dispensas, etc. Em seu mosteiro, a priora será a única
responsável, e não quer que ninguém de fora se intrometa no regime
interno. Em uma palavra: “Que tudo passe pela mão da priora”. E para terminar esta breve lista de elementos que, ao menos em parte, indicam a repercussão da vida da Encarnação no mosteiro criado por Teresa, acrescenta o P. Steggink a seguinte reflexão, com a qual encerramos também este capítulo: “Contudo, não se deve considerar sua obra como uma simples re-forma, isto é, uma extirpação de abusos e a reorganização da vida regular. Muito pobre seria nosso conceito da obra teresiana se víssemos nela uma mera rebelião contra os abusos e defeitos de organização. A nova forma de vida carmelitana, inspirada no mais profundo espírito evangélico e no ideal eremítico-contemplativo carmelitano, com sua clara finalidade dogmática, mais que de reforma, deve qualificar-se de obra criadora e fundadora, que coloca a madre Teresa de Jesus entre as primeiras figuras da Igreja da Contra-Reforma. Sua atividade reformadora não parece ser mais que um aspecto secundário da obra” [3] CAPÍTULO IIISÃO JOSÉ DE ÁVILA
Ao aproximar-nos do mosteiro de São José inaugurado por
Teresa de Jesus em 24 de agosto de 1562 e dispor-nos a seguir a
trajetória da nova fundação, tenha-se em conta, em primeiro lugar,
que vamos fixar nossa atenção quase exclusivamente na protagonista
principal, que logo começará a chamar-se de “a Madre Fundadora”.
Acha-se ela na maturidade de seus 47 anos de idade, 27 deles passados
no mosteiro da Encarnação, o que constitui uma longa experiência de
vida religiosa; e leva sobretudo em seu coração uma profundíssima
experiência de Deus e um projeto de vida que, pensa, irá facilitar
às almas consagradas o caminho para a união com Deus, que ela tinha
conseguido finalmente encontrar através de muitos anos de busca e de
sofrimento. Advirta-se também que, quando suas seguidoras começam a
chamá-la de Fundadora, o fazem porque têm consciência de que é ela
a criadora das comunidades que as acolheram em seu seio, sem excluir
por isso a comunhão e continuidade com toda a tradição anterior da
Igreja e do Carmelo, como ficou claro no capítulo anterior.
E sem mais preâmbulos, vejamos brevemente os aspectos
históricos mais destacados dessa nova comunidade reunida em torno da
Madre Teresa.
O primeiro detalhe importante é que a Madre dá início à sua
fundação com quatro aspirantes que vêm diretamente de seus
ambientes familiares. São jovens, generosas, dispostas a tudo
e Teresa oferece-se para guiá-las em seu empenho e a criar com elas
uma comunidade nova, organizando sua vida do modo mais conveniente
para conseguir o fim a que se propõem.
Um dos aspectos da originalidade carismática da Santa está
precisamente nessa sua disponibilidade pessoal, que a leva a
manifestar às demais, com simplicidade e sinceridade, sua própria
experiência e que, com seu exemplo
as estimula, suscitando nelas o desejo de encaminhar-se por um
caminho que leva a tais alturas. A missão de Teresa em meio às suas
filhas consiste em ajudá-las a viver, cada uma de modo
personalíssimo e irrepetível, sua própria experiência. É este um
elemento básico que nenhuma análise histórica, nem teológica
poderá fazer-nos perceber exatamente. Poderemos recolher todas as
palavras da Santa que chegaram até nós, poderemos catalogar
muitíssimos testemunhos contemporâneos, porém, nunca chegaremos a
conhecê-la tão profundamente como uma destas jovens que tiveram a
dita de conviver com ela vários anos. A vida se transmite vivendo e a
convivência vai ampliando cada vez mais esse conhecimento pessoal que
logo se torna difícil de traduzir em princípios ou transmitir a
outras pessoas. Sem dúvida, ainda tendo em conta esta limitação de
nosso conhecimento histórico, todo esforço por aproximar-nos o mais
possível à realidade de São José de Ávila está justificado.
A Santa, pois, ainda que sempre tenha presente o fim, que para
todas é o mesmo, trata de ensiná-lo a cada uma segundo sua
capacidade. Cada alma que chega a este mundo tem que viver sua
aventura a sós com Deus, combatida pelo demônio e o amor próprio.
É um caminho que começa com o batismo e não termina até a morte,
sempre em busca de Deus. E, como cada uma tem seu amor próprio e o
demônio não coloca para todas os mesmos tropeços, a habilidade da
guia consiste em saber indicar a cada uma qual é o seu caminho. A
Santa procura ajudar a suas novas companheiras com todos os meios a
seu alcance, fazendo-lhes compreender que o agente principal é Deus,
cuja ação misteriosa escapa ao alcance de nosso olhar, mas que
necessita também de nosso esforço e nossa colaboração, pois, ainda
que possamos ajudar pouco, podemos estorvar muito.
Aquelas jovens logo compreenderam que a experiência e a
sabedoria da Madre Teresa eram algo fora do comum e para evitar que o
tempo ou a ausência da Madre as privasse desse tesouro, pediram-lhe
que pusesse por escrito tudo isso que costumava dizer-lhes. E assim
nasceu o Caminho de Perfeição
(1566): “Este livro contém
avisos e conselhos que Teresa de Jesus dá às irmãs religiosas
e filhas suas”. Como
se dissesse: isto é o que eu costumo dizer-lhes nas reuniões de
comunidade, nas conversas particulares com elas, cada vez que se
apresenta uma circunstância ou ocasião oportuna. E o livro se
converterá rapidamente em um prolongamento da presença da Madre
entre suas filhas. Não será mais um livro de teorias, senão uma
experiência vivida que se transmitirá com eficácia a quantas almas
se aproximarem dessas páginas com ânimo aberto e desejoso de
aprender. Enquanto viver a Madre, ela as ensinará; depois que morrer,
o livro continuará recordando seus ensinamentos.
E efetivamente, nas comunidades que irão surgindo, ainda
depois da morte da Santa, ela será considerada a verdadeira mestra de
noviças: à noviça entregarão seus escritos e a mestra titular se
sentirá só uma ajudante da Santa, com a missão de esclarecer os
pontos mais difíceis que a noviça não conseguir entender por si
mesma. Este aspecto, fundamental para compreender o Caminho
de Perfeição em toda sua transcendência para a vida do Carmelo
Teresiano, moveu alguns ultimamente a chamá-lo “O Evangelho
teresiano”, pondo em relevo que, como o Evangelho leva-nos ao
conhecimento da Pessoa de Cristo, o Caminho de Perfeição tem que nos levar ao conhecimento da pessoa
da Madre Teresa
[4]
.
Tendo, pois, em conta, que na eficácia do livro tem tanta ou
mais importância a pessoa da Madre Teresa que suas idéias,
recordemos quais são as linhas mestras do livro, as idéias básicas
sobre as quais gira o magistério teresiano em seus primeiros anos de
São José de Ávila, o que – em uma palavra – a Santa quer que
suas filhas não esqueçam nunca:
Reuniram-se em uma casa pobre, despojada de luxos supérfluos,
poucas em número, como em um colégio apostólico, para corresponder
ao amor do Senhor, ir crescendo em sua amizade e poder assim negociar
mais eficazmente com Ele em favor de seus irmãos. A Igreja inteira,
em especial o sacerdócio, será o objeto de suas conversações com o
amigo Deus; suas preocupações e desvelos serão para as necessidades
de todas as almas.
Caminho real para crescer na amizade com Deus é a vida de
oração, que exige como condições indispensáveis: o amor do
próximo, o desprendimento das coisas deste mundo – sobretudo de si
mesmo – e a humildade, que é andar na verdade
[5]
. Princípios, como se vê, claríssimos e que ninguém
duvida em admitir. A dificuldade apresenta-se na hora de aplicá-los
em circunstâncias concretas. É então, quando o demônio e o amor
próprio desempenham seu papel, traindo a alma. É amor do próximo
dizer sim, ou dizer não? É desprendimento próprio defender-se, ou
calar? É humildade deixar que nossos talentos fiquem esquecidos, ou
fazê-los reluzir porque humildade é andar na verdade?
Responder a estas perguntas não é tão simples, e assim se
explicam as digressões da Santa em seu livro. Cada vez que se recorda
de um detalhe da experiência pessoal ou alheia, escreve-o
sem preocupar-se demasiadamente se seu lugar mais indicado é
aquele ou outro, com a esperança de que quando suas irmãs se
encontrarem em circunstâncias semelhantes, recordem-no e tirem
proveito. As idéias fundamentais serão sempre as mesmas, as
aplicações práticas são ilimitadas; cada pessoa é diferente das
demais e os dias não são todos iguais. Assimilando esse tesouro de
experiência, no momento oportuno sentir-se-á sua utilidade.
Levando a sério estas orientações da Madre, muito cedo as
filhas de Teresa vêm-se livres de toda preocupação terrena e das
exigências do amor próprio. Reconhecendo cada uma o pouco que possui
e o muito que lhe falta, ajudando-se mutuamente com delicadeza e
sinceridade que sugere o amor verdadeiro, assimilam com alegria o
clima de serenidade que irradia da Madre e sentem-se parte integrante
do ambiente maravilhoso que se criou em torno dela. A Santa, dito com
outras palavras, sabe criar um ambiente no qual as almas vêm abrir
ante seus olhos um horizonte ilimitado para o qual dirigir seus passos.
(O noviciado teresiano mais que ensinar a praticar uma porção de
coisas, abre uma porta, introduz em um caminho que vai durar a vida
toda). E esse horizonte é o trato de amizade com Deus, Pai que está
nos céus; cujo nome se deseja santificar, sobretudo quando se
experimentou a vinda de
seu reino à alma; cuja vontade deseja-se cumprir, seriamente, não
por costume, enquanto durar o breve “hoje” que é esta vida,
acompanhadas e sustentadas pela presença de Jesus na Eucaristia,
ainda que “tão disfarçado neste acidentes de pão e vinho, que é grande tormento
para quem não tem outra coisa que amar nem outro consolo”; cujo
perdão se alcança perdoando de verdade aos irmãos, não à força
de penitências ou de boas intenções de reconciliação; e cujo
auxílio é a única garantia segura contra os enganos do demônio
vestido de anjo de luz, e para livrar-se de todo mal.
A segunda parte do livro é simplesmente um comentário do Pai
nosso. Quem deseja viver vida de oração não pode buscar melhor
caminho que o que Cristo mesmo nos ensinou.
O Caminho de Perfeição
contém, como se vê, algumas idéias básicas, fundamentais,
claríssimas. O que importa à Santa é que cada noviça que chega à
sua casa, as vá assimilando e fazendo suas segundo sua própria
capacidade, e empenhe-se em prosseguir avançando sempre por esse
caminho com a ajuda de Deus, pois na realidade o noviciado não
termina nunca. [1] C. CATENA, Le Carmelitane. Storia e spiritualità. Roma,1969. (Textus et studia historica carmelitana 9). [2] Ver especialmente O. STEGGINK, Experiencia y realismo en Santa Teresa y San Juan de la Cruz (Madri,1974) p. 13-98, e do mesmo autor, Arraigo e innovación. Madri,1976 (BAC Minor 41). [3] O. STEGGINK, Arraigo e innovación, p. 185. [4] O. RODRIGUEZ, The Teresian Gospel. An introduction to a fruitful reading of the Way of perfection. Pro manuscripto. Darlington Carmel,1974. [5] Cf. I. MORIONES, El Carisma teresiano. Estudio sobre los orígenes. Roma,1972, p.43-44. |

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