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Ildefonso Moriones OCD

O CARMELO TERESIANO

Páginas de sua história

 Tradução do original de Vitoria  
Ediciones El Carmen:
Monjas do Mosteiro de São José
Jundiaí - SP
     Brasil

 

UMA HISTÓRIA DIFÍCIL DE CONTAR

C O N T E N T S

INTRODUÇÃO 1-  A ORDEM DO CARMO
2 -  TERESA DE AHUMADA, MONJA CARMELITA 3 -  SÃO JOSÉ DE ÁVILA
4 -  AS CONSTITUIÇÕES TERESIANAS 5 - AS CONSTITUIÇÕES TERESIANAS
6 - TERESA DE JESUS, FUNDADORA DE FRADES 7 - CARMELITAS “CALÇADOS” E “DESCALÇOS
8 -  A NOVA PROVÍNCIA SOB O GOVERNO DO PADRE GRACIÁN 9 - FREI JOÃO DA CRUZ, O HOMEM INTERIOR
10 - MUDANÇA DE SUPERIOR E DE RUMO 
O P. NICOLAU DE JESUS MARIA, DÓRIA
11 - O LEGADO DO PADRE DÓRIA
12 - ANTES QUEBRAR DO QUE DOBRAR.
DUAS ORDENS DE CARMELITAS DESCALÇOS
13 - A CONGREGAÇÃO ESPANHOLA
14 - UMA HISTÓRIA DIFÍCIL DE CONTAR 15 - A CONGREGAÇÃO ITALIANA
PRINCIPAIS PROTAGONISTAS
16 - NOVOS REFORÇOS:
DOMINGO RUZOLA E TOMÁS DE JESUS
17 - EXPANSÃO DA CONGREGAÇÃO ITALIANA
18 - DIFUSÃO DAS FILHAS DE SANTA TERESA O MUNDO 19 - RESTAURAÇÃO (SÉCULO XIX) E
NOVA EXPANSÃO DA ORDEM (SÉCULO XX)
20- O CARMELO TERESIANO E A  RENOVAÇÃO DA VIDA
RELIGIOSA PROMOVID
A PELO VATICANO II
.

 

CAPÍTULO XIV

UMA HISTÓRIA DIFÍCIL DE CONTAR

            Um aspecto importante no desenvolvimento de toda instituição é o da imagem que chega a se formar de si mesma até deixá-la plasmada em sua história, escrita para que sirva de guia aos próprios membros e de admiração aos estranhos.

            O leitor já terá intuído pelas páginas lidas até agora que não era nada fácil para um autor do século XVII narrar os primeiros 50 anos de vida do Carmelo Teresiano deixando contentes os de casa e "edificados" os de fora. À dificuldade objetiva de esclarecer a verdade acrescentava-se a de contá-la ao gosto dos superiores que então governavam a Ordem e que se sentiam implicados quase diretamente nos fatos narrados, ou ao menos muito próximos a eles. Por isso, creio necessário recolher nesse capítulo algumas indicações que ajudem a compreender e utilizar com proveito, não obstante seus limites, a nossa historiografia do século XVII e as obras de autores mais recentes influenciados por ela.

            Recordemos como premissa importante que a primeira história do Carmelo Teresiano foi escrita pela sua própria Fundadora. Porém, o livro das Fundações, ainda que muito lido e copiado pelas Descalças, continha um capítulo 23 sobre o P. Jerônimo Gracián, que alguns Descalços não julgavam conveniente divulgar. Ana de Jesus e o mesmo Gracián imprimiram-no pela primeira vez em 1610 em Bruxelas.

            Gracián, por sua parte, escreveu também umas Fundações dos Descalços, completando e continuando a obra da Madre Teresa no que se referia aos frades, porém, como é fácil compreender, a obra ficou inédita e logo se perdeu. Um extenso fragmento que se refere ao período 1568-1588 veio à luz em 1977, como repetimos várias vezes [1] .

            O P. Nicolau Dória não teve tempo para pensar em escrever uma história, ocupado como estava em fazê-la quando a morte o surpreendeu.

 

            Foi seu sucessor, Elias de São Martinho, quem em 1597, há mais de 30 anos de distância de Duruelo e de São José de Ávila, tomou a decisão de mandá-la escrever, nomeando o primeiro Historiador Geral da Ordem.

 

JOSÉ DE JESUS MARIA

(QUIROGA) (1562-1628)

            O escolhido chamava-se frei José de Jesus Maria e acabava de professar entre os Descalços. Nascido em Castro de Caldelas (Orense) em 1562, tinha seguido a carreira eclesiástica, especializando-se em estudos de Direito. Graças ao apoio do cardeal Quiroga, seu tio, tinha conseguido um canonicato em Toledo em 13 de julho de 1592. No convento das Descalças de Toledo, governado até a pouco por sua tia Elena de Quiroga, encontrava-se também sua prima Jerônima da Encarnação. Nada de estranho, pois, que ao sentir a vocação religiosa, prevalecessem em seu espírito a simpatia pela família teresiana.

            Recebeu o hábito em Madri em princípios de 1595, professando em 2 de fevereiro de 1596. Terminado o ano de professorado, o P. Quiroga, com seus 35 anos de idade e os estudos já terminados, estava disponível para qualquer trabalho; nele pensou o P. Elias de São Martinho, que já o conhecia desde Toledo onde havia sido prior enquanto Quiroga era cônego, para o cargo de Historiador Geral.

            O candidato se encontrava em uma posição privilegiada para realizar com garantias de êxito seu trabalho, pois não estando implicado pessoalmente nas controvérsias dos anos precedentes, podia escutar a todos e formar um juízo imparcial. Colocou mãos à obra com entusiasmo juvenil, percorreu durante dois anos os diversos conventos da Península em busca de testemunhas dos primeiros tempos e recolhendo todo o material necessário para a história, que logo foi elaborando pouco a pouco, considerando o trabalho de historiador como a principal de suas ocupações, ainda que as alternando com outras.

            Quando, por fim, ao término de 25 anos apresentou aos superiores sua História Geral da reforma do Carmo, a censura achou bastantes reparos a serem feitos, alguns dos quais tocavam pontos de vista aos quais o P. Quiroga não estava disposto a renunciar. E por não renunciar a suas idéias, teve que renunciar ao cargo de historiador [2] .

            Temendo talvez que seu trabalho de tantos anos ficasse inutilizado para sempre, o P. Quiroga tomou a decisão de mandar a Flandres, por meio de um parente seu, ao menos a vida de frei João da Cruz, onde refletia a visão que ele tinha forjado sobre as origens da Ordem. Assim, enquanto sua História Geral ficou inédita e se perdeu durante a exclaustração, sua História da vida e virtudes do venerável P. frei João da Cruz, primeiro religioso da reforma dos Descalços de Nossa Senhora do Carmo (Bruxelas 1628), desafiou os séculos, traduzida em francês, italiano e latim e reeditada ainda em 1927 em sua língua original.

            Qual foi a reação da Ordem diante dessa primeira obra de envergadura sobre sua história?

            Quanto ao autor, os superiores julgaram em primeiro lugar o fato da publicação de seu livro sem as devidas licenças e aplicaram-lhe as Constituições, castigando o P. Quiroga com a privação de voz e lugar por dois anos e mandando-o retirar-se, com a proibição de continuar escrevendo, ao convento de Cuenca. O P. Quiroga praticamente não conseguiu sobreviver a sua desventura. Faleceu em 13 de dezembro desse mesmo ano de 1628 [3] .

            Quanto ao livro, foram também muitos os reparos que se fizeram. Entre outras coisas, diz a censura, "não ajuda ao que a Religião tem determinado nos atos comuns que professa" [4] . Tentou-se recolher e queimar os exemplares impressos, porém já haviam sido difundidos por toda a Europa e isso foi impossível. Como dizíamos antes, o livro continuou sendo reeditado e traduzido [5] .

             O P. Quiroga não conseguiu, pois, deixar os superiores contentes, os quais acharam sua descrição  das origens da Ordem em contraste com a realidade do momento em que se escrevia a história. Mas, tampouco conseguiu deixar contentes os súditos. E o motivo é bastante compreensível: dando demasiado crédito à documentação e às testemunhas entusiastas do P. Dória, tinha que descontentar necessariamente os que conheciam os fatos a partir do ângulo do P. Gracián ou de Ana de Jesus, por exemplo. Valha por todos o testemunho de Beatriz da Conceição, que conta confidencialmente à sua amiga Maria da Encarnação suas impressões sobre o livro de Quiroga, especialmente quando toca no tema do pleito das monjas com Doria: "Acredite-me que não penso que nas crônicas encontrarão muita coisa sobre nossa Madre (refere-se a Ana de Jesus, cuja vida Beatriz estava querendo que fosse escrita). Pelo que escreveu até agora, eu asseguro que dirá coisas não do nosso gosto. Vi um livro que foi escrito por ele sobre nosso santo padre frei João da Cruz e dá para ver como é pouco afeiçoado à nossa Santa. Ao P. Gracián ataca fortemente. Eu não posso sofrer que, para louvar a uns santos, desprezem outros e acusa muito a este [...] O certo é que sai totalmente de seu bom estilo chegando a este capítulo, que foi lido à noite no refeitório e cansou-me tanto, que tirou-me o gosto daquilo que há de bom em nosso Santo. O que deve colocar na história, já que diz não ter feito aqui  mais que uma referência! Deu-me mais pesar do que posso lhe dizer aqui. Se vossas reverências conhecem este bom Padre poderão agradecê-lo a caridade que nos faz, pois valiam mais as de quem ele fala que todas nós. E é como tocar-me as pupilas dos olhos falar-me das irmãs de Madri e como sei o que eram, e bastava minha santa madre, agora me deu mais ânsia, minha madre, de que procure que se ponha nas crônicas suas virtudes e o que trabalhou na Religião". Consciente de ter sido demasiado explícita, a madre Beatriz teme que sua carta se perca ou caia em mãos indiscretas e por isso pede que lhe avise do recebimento da mesma, repetindo seu desabafo no final da carta: "Avise-me Vossa Reverência do recebimento desta e em todo caso diga-me se há alguém aí que conheça este bom Padre José de Jesus Maria, tão honrador das religiosas antigas. Não o posso tirar do pensamento. Este capítulo que foi lido no refeitório essa noite, deixou-nos mortificadas, às irmãs e a mim, de ouvir tratar com tão pouco respeito àquelas que devem ser veneradas. Enfim, não há outro remédio senão a paciência. Que Deus ma dê" [6] .

JERÔNIMO DE SÃO JOSÉ

(ESQUERRA) (1587-1654)

            A História Geral do P. Quiroga começava desde Santo Elias. Nos dois primeiros tomos narrava-se a evolução da Ordem do Carmo até Santa Teresa, nos dois seguintes descrevia-se a obra da Santa como Reformadora e vivificadora da antiga Ordem. "Tanto dos antigos oráculos como dos novos - repetirá Quiroga em defesa de sua tese - temos acreditada notícia que nesta reforma Nosso Senhor não pretendeu uma nova religião, senão uma como que investidura da antiga, para ressuscitar nela a perfeição que a religião de Elias havia tido nos séculos antigos, a qual havia caído por mitigações" [7] .  

            Para reelaborar um material tão extenso no menor tempo possível (a necessidade de ter a própria história impressa se fazia cada vez mais urgente), os superiores designaram dois religiosos: o P. Francisco de Santa Maria se encarregaria da história antiga, o P. Jerônimo de São José da história recente. Os novos historiadores receberam o material recolhido por seu predecessor com as instruções da censura e dos superiores e puseram imediatamente mãos à obra.

            Francisco de Santa Maria já em 1630 imprimiu seu primeiro tomo intitulado: "História geral profética da Ordem de Nossa Senhora do Carmo". Um volume com 784 páginas que compreendia até João Batista, inclusive. Em 1649 publicar-se-á a Apologia do primeiro tomo... - reeditado em 1641 - porém, o segundo tomo não chegou a se imprimir. Deixando para outro lugar as aventuras da História profética, voltemos nossa atenção para a história a partir de Santa Teresa para cá.

            O encarregado desse setor era, como dizíamos, Jerônimo de São José.

            Nascido em Mallén (Zaragoza) em 1587, havia-se transferido para Salamanca para cursar Direito em 1605. Ali conheceu os Descalços cujo hábito vestiu em 1609, aos 22 anos de idade, fazendo seu noviciado no convento de Toro, sob a direção de João do Espírito Santo. Na Ordem, completou seus estudos cursando filosofia escolástica em Segóvia até 1613 e teologia em Salamanca (1613-1616).

            Em 1626 recebia de seu antigo mestre de noviços, eleito Geral no ano anterior, o encargo de refazer a história do P. Quiroga. Jerônimo não se conformou em reelaborar o material acumulado. Levou a termo uma investigação pessoal bastante escrupulosa, como se conclui do seu material autógrafo que ainda resta nos arquivos e ao fim de nove anos de trabalho apresentou aos superiores os dois tomos preparados para serem impressos. Os volumes foram examinados pela censura e o Geral Estêvão de São José, com data de 26 de junho de 1635, concedeu a licença para a impressão com as devidas correções.

            O P. Jerônimo, que conhecia bem o que tinha ocorrido com seu predecessor, não discutiu o juízo dos censores. Porém, quando o primeiro tomo saiu da imprensa em 1637 os censores advertiram, cheios de espanto, que o livro impresso não coincidia exatamente com o manuscrito previamente corrigido e aprovado. Estudou-se atentamente o caso e a decisão do definitório foi, além da deposição imediata do interessado, "que toda a obra impressa fosse sepultada para sempre e se fizesse outra novamente, conforme o primeiro tomo da História. E para mais ajustada execução - prossegue o testemunho contemporâneo do acontecido - encarregaram o P. Francisco de Santa Maria para que, ordenando-a de novo, seguisse o que disse em seu primeiro tomo da História profética, na qual há mais de ano trabalha, e se espera em breve o primeiro tomo da História da Descalcez".

           Da dita edição salvou-se somente um exemplar que Jerônimo tinha dado a seus amigos jesuítas.

Está também sem fazer o exame crítico desta obra que descontentou os superiores e contém os elementos que na obra de Quiroga desgostaram os súditos. Indiquemos só um pormenor que não parece fortuito: as censuras falam da história da Reforma e o Geral assina a licença para impressão da obra intitulada: Primeiro tomo da História Geral da Reforma e Ordem dos Descalços de Nossa Senhora do Carmo. Em troca, o livro impresso intitula-se simplesmente (estamos em pleno século barroco): História do Carmelo Descalço [8] .

FRANCISCO DE SANTA MARIA

(PULGAR) (1567-1649)

 

Depois do fracasso de um galego e de um aragonês, pensou-se em um andaluz e desta vez a escolha foi acertada.

Porém, creio que seria uma tentação demasiado simplista atribuir um peso decisivo neste caso à tenacidade de juízo dos dois primeiros ou à maior fantasia do terceiro. A chave deve ser buscada na formação de cada um e em seu conseqüente condicionamento no uso das fontes. Os dois primeiros chegam, poderíamos dizer, de fora, não são testemunhas do que contam e, ainda que se esforcem em dar à história a matiz desejada pelos que a governam, prestam ouvidos também, ainda que não de maneira suficiente, à outra versão, com o que desgostam a todos.

A situação de Francisco, em troca, era diferente, pois tendo recebido o hábito em março de 1586 (nasceu em Granada em 13 de agosto de 1567), tinha vivido desde jovem a nova orientação da Ordem,  assimilado perfeitamente sua mentalidade e lhe era natural o raciocínio do P. Dória, assim como distante e quase infantil a maneira de pensar do P. Gracián. Ele se considera testemunha ocular do que narra e não considera um exagero andaluz afirmar que o P. Dória "é, sem rival, o idealizador de nossa Descalcez, a Regra viva, e a quem se deve tudo de bom de que goza" [9] .

Foi, pois, Francisco de Santa Maria que corrigiu os volumes de Quiroga reelaborados por Jerônimo e pôde assinar a redação definitiva da história oficial da ordem intitulada: Reforma dos Descalços de Nossa Senhora do Carmo da primitiva observância feita por Santa Teresa de Jesus na antiqüíssima Religião fundada pelo grande Profeta Elias. (Comumente será chamada Reforma ou Crônicas).

O primeiro tomo (Madri,1644) abarcava desde o princípio até a morte de Santa Teresa (1582), o segundo (Madri,1655, seis anos depois da morte de seu "autor") continuava até a morte do P. Dória (1594).

Remetendo ao mesmo Francisco àqueles que desejarem ver mais detalhes sobre esta história tão trabalhosamente terminada, limitar-me-ei aqui a uma observação de índole geral que julgo muito importante. Ao passar da leitura das Fundações da Santa e de Gracián, ou de outras fontes narrativas da primeira geração, como Maria de São José ou Isabel de São Domingos, por exemplo, à Reforma do P. Francisco, adverte-se em seguida uma diferença de profundidade notabilíssima: nas primeiras sente-se palpitar uma vida, se segue a narração de alguns fatos simples, sem enfeites, que o leitor poderá julgar como quiser ou confrontar com outras fontes; na história oficial, em troca, a preocupação por transmitir uma ideologia prevalece sobre a vida mesma, os fatos subordinam-se à ideologia, sacrificando sem escrúpulos a verdade histórica e prevenindo com freqüência o juízo do leitor. Compreende-se a gravidade desta afirmação e a importância das conseqüências que dela derivam, pois existe o perigo de que um leitor ingênuo corrija inclusive os "erros" contidos nas Crônicas, supra-os com dados históricos exatos e fique, não obstante, com a interpretação do cronista.

Alguns exemplos esclarecerão melhor o que queremos dizer. Nessa História, receberam sua formulação mais ou menos explícita, sua confirmação oficial em certo sentido, algumas idéias que, em forma de teses, poderiam ser assim formuladas:

1.      O fim a que Deus se propôs ao enviar-nos Santa Teresa "foi a Reforma da antiqüíssima Religião de Profetas, fundada no Monte Carmelo pelo milagroso Elias" [10] .

2.      Essa Reforma foi levada à sua perfeição - como dizia Alonso - pelos quatro primeiros Gerais: Nicolau Dória (1585-1594), Elias de São Martinho (1594-1600), Francisco da Mãe de Deus (1600-1607), Alonso de Jesus Maria (1607-1613), e pelo caminho traçado pelos seus predecessores devem seguir os que os sucederem no governo.

3.      Na evolução da Ordem, Jerônimo Gracián foi somente um perigo passageiro, eliminado oportunamente antes que contaminasse os demais.

4.      As três colunas firmíssimas que sustentam o edifício da religião são a contemplação, que exclui a atividade apostólica e missionária; o retiro, que limita ao máximo as saídas de casa e a penitência rigorosa.

5.      Santa Teresa é mestra principalmente das Descalças, que participam da perfeição dos Descalços à medida que sua fraqueza feminina o permite. Os Descalços têm seu mestre próprio em frei João da Cruz.

Compreende-se que para manter essas teses é necessário rechaçar como objeções sem fundamento as opostas. Algumas vezes se faz isso explicitamente, outras sem mencioná-las. Essas teses rechaçadas direta ou indiretamente pela história oficial, poderiam ser assim formuladas:

1.      Santa Teresa é a Fundadora de uma nova família que veio enriquecer o Carmelo e a Igreja.

2.      Ela é, por conseguinte, o verdadeiro modelo e guia e suas leis e estilo de governo devem ser preferidos às leis e estilo de governo mudados pelos Gerais.

3.      Gracián é um autêntico representante do espírito teresiano e deseja-se sua reabilitação, ao menos póstuma.

4.      O edifício da Religião melhor do que sobre três colunas, fundamenta-se sobre duas: oração e zelo das almas.

5.      Santa Teresa é a única fundadora e mãe de todos.

De cada uma dessas teses deduz-se logo uma infinidade de conseqüências práticas que obrigam o cronista a recortar a verdade histórica ou a suprir com revelações ou considerações espirituais a falta ou o excesso de documentos. O que interessava era que as idéias básicas ficassem bem gravadas na mente do leitor.

E começou-se a ler a  história nos refeitórios de Descalços e Descalças. Primeiro somente em castelhano, depois também em italiano (em 1654, tradução do primeiro tomo; em 1662 do segundo), francês (em 1655, primeira parte do primeiro tomo; em 1666, a segunda).

Em 1659, Luíza de Jesus Cristo, priora de Bruxelas, qualificou-os de "tomos infelizes", ao ver como tratavam os argumentos em que se via implicada a pessoa e a fama de Ana de Jesus.

Em muitos mosteiros espanhóis, formou-se em seguida a "tradição" de pular certos capítulos, sobretudo os que maltratavam o predileto da Madre Fundadora. Porém, o que foi escrito, escrito está, e pouco a pouco foi penetrando.

A influência da versão oficial foi mais ou menos profunda segundo o terreno em que caiu: houve quem a admitiu cem por cento, quem lhe fez reparos críticos e quem, conhecendo por tradição oral a versão oposta, não lhe deu nenhum crédito. O fato é que para muitos a leitura desses dois primeiros tomos produzia verdadeiro mal-estar. O remédio para acabar com esse mal-estar, encontrou-o finalmente, um século e meio depois, o P. Antônio dos Reis (Geral de 1796 a 1802), cuja análise crítica da historiografia oficial concluía: "Porque o principal objeto deste escrito não é o de difamar a ninguém, senão somente honrar a verdade, a justiça e defender a inocência e virtude do venerável servo de Deus, o P. frei Jerônimo da Mãe de Deus (Gracián), e o que tocaria a nossa Congregação da Espanha, em cujo nome cometeram-se os excessos e atentados de que se fala neste escrito, tanto contra o P. Gracián como contra nossa Santa Madre, contra São João da Cruz, que também morreu desterrado em Úbeda pelos partidários de Dória, Maria de São José, Ana de Jesus e outros grandes personagens da mesma Congregação, seria satisfazer a todos suprimindo os dois primeiros tomos da História, mandando uma pessoa capaz, imparcial, com boa crítica e, sobretudo, amante da justiça e da verdade, escrevê-la de novo" [11] .

CONTINUAÇÃO DAS CRÔNICAS

 

Os tomos seguintes não continham apenas história, pois uma vez traçado o caminho, os demais cronistas foram-no seguindo, ainda que cada vez com menos convicção, até parar tudo.

José de Santa Teresa publicou em 1683 e 1684 os tomos terceiro e quarto, narrando a história até 1650. Manoel de São Jerônimo chegou até 1657, com os tomos quinto e sexto publicados respectivamente em 1706 e 1710. Anastásio de Santa Teresa publicou em 1739 o sétimo tomo que abarcava até 1666 e interrompeu-se a obra nesse ano. (O oitavo tomo preparado por Manoel de São José e que chegava até 1675 ficou inédito por causa da invasão de Napoleão). "Desde meados do século XVIII até nossos dias - constatou o P. Silvério em 1935 - pouca coisa digna de menção em termos de biografia de carmelita Descalço ou Descalça saiu da imprensa" [12] .

 O processo de renovação da Ordem que se adverte em fins do século XVIII, com o desejo cada vez mais explícito de retornar a Santa Teresa e a conseqüência lógica de buscar uma história das origens mais verdadeira foi interrompido bruscamente pelas supressões de princípios do século XIX. O P. Manoel de Santo Tomás de Aquino (Traggia) é o expoente mais qualificado desse intento frustrado pelas circunstâncias externas desfavoráveis. Nomeado Historiador Geral em 2 de dezembro de 1815 e falecido em 17 de setembro de 1817, teve apenas o tempo necessário para tomar consciência da urgência do trabalho a ele encomendado: "Vejo como uma necessidade estrema pensarmos no miserável estado da história de nossa Ordem", dizia ele. E entre as causas deste estado miserável no qual se encontrava a história, apontava a falta de meios colocados à disposição do historiador e a dificuldade de uma censura incapaz que estragava em um momento o trabalho de muitos anos [13] .

Tampouco seu sucessor, João de Santo André, escreveu alguma coisa, pelo fato de que ao se suprimir a Congregação Espanhola em 1835, deixava suas crônicas estagnadas no ano de 1666.

Terá que vir o P. Silvério de Santa Teresa (1878-1954) para satisfazer, em parte, o sonho de Antônio dos Reis, suprindo com os seis primeiros tomos de sua História do Carmelo Descalço os dois primeiros das Crônicas. E escreverá, pela primeira vez, a partir do décimo volume, a história que vai desde 1666 até nossos dias.  

CAPÍTULO XV

A CONGREGAÇÃO ITALIANA
PRINCIPAIS PROTAGONISTAS

 

            Às vezes, costuma-se atribuir ao P. Dória toda a responsabilidade dos prejuízos sofridos pelo Carmelo Teresiano em sua Congregação Espanhola. Sua responsabilidade foi enorme, porém não exclusiva, pois teve seus mestres na Ordem e seus colaboradores também. Por isso, creio ser oportuno abrir este capítulo recordando que a ele se deve também, em boa parte, o mérito de ter colocado as bases da que se converteu com o tempo em Congregação de Santo Elias e, logo, na única "Ordem dos Irmãos Descalços da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo".

            Com efeito, foi ele quem se encarregou de executar a resolução do capítulo provincial intermédio de Almodóvar (1583), de fundar um convento em Gênova, dando assim início às fundações fora do território da península ibérica. O convento foi inaugurado em 1º de dezembro de 1584 e o P. Dória, com seu prestígio pessoal e o do seu nome, deixou-o assentado sobre bases bem sólidas, permanecendo nele até fins de setembro de 1585, quando voltou à Espanha para tomar posse do cargo de provincial.

            Uma vez provincial, teve o cuidado de reforçar a nascente comunidade de Gênova com pessoas capazes e bem preparadas que, chegado o momento, souberam imprimir à nova Congregação um ritmo de crescimento tal que faz pensar em um processo fundacional propriamente dito. Basta recordar que dos dois conventos de Gênova e Roma, separados da jurisdição da Espanha em 1597 e erigidos em Congregação autônoma em 1600, tinham saído já em 1614 cerca de 300 religiosos espalhados praticamente por toda a Europa.

            Os principais protagonistas desta que poderíamos chamar de refundação do Carmelo Teresiano foram: Fernando de Santa Maria, João de Jesus Maria e Pedro da Mãe de Deus, aos quais se somaram depois Domingo de Jesus Maria (Ruzola) e Tomás de Jesus.

FERNANDO DE SANTA MARIA (1558-1631)

 

            Natural de Astorga (León), começou seus estudos em Salamanca na idade de 14 anos e desde o início entrou em contato com as Carmelitas Descalças, cuja igreja freqüentava. Aos 19 anos confiou às filhas de Teresa sua vocação e recebeu o hábito em Mancera em 1577.

            Terminado o noviciado, continuou seus estudos em Alcalá até que em fins de 1585 foi enviado para Gênova. Praticamente desde sua chegada exerceu o cargo de subprior e em 1591 e 1593 foi eleito prior da única comunidade de Descalços que existia na Itália.

            O P. Fernando logo ficou muito popular em Gênova, tanto que na Espanha alguns começaram a pensar que ele estava saindo dos limites que consideravam intransponíveis para um Descalço. O capítulo de 1594 elegeu-o prior de Barcelona para fazê-lo voltar, porém a Senhoria de Gênova opôs-se e o P. Elias de São Martinho permitiu-lhe continuar exercendo seu ministério na Itália.

            Em 1605, aos 47 anos de idade, foi eleito primeiro Geral da nascente Congregação, cargo para o qual tornou a ser eleito em 1614 e 1629. De seus extraordinários dotes de governo ressalta o P. Silvério a suavidade, "coisa deixada de lado com muita freqüência no governo da Congregação da Espanha" [14] .

            Durante seu último generalato e sob sua direção pessoal retocaram-se praticamente pela última vez as leis da Congregação que, aprovadas por Urbano VIII em 1631, estiveram em vigor até 1928.

JOÃO DE JESUS MARIA

(SAMPEDRO Y USTARROZ) (1564-1615)

            João de Jesus Maria, natural de Calahorra (Logroño), entrou em contato com a obra teresiana durante seus estudos filosóficos na Universidade de Alcalá. Aos 18 anos recebeu o hábito dos Descalços, professando em Pastrana em 30 de janeiro de 1583. Prosseguiu seus estudos teológicos, provavelmente em Salamanca, e em fins de 1585 embarcou para a Itália junto com o P. Fernando de Santa Maria.

            A presença de João de Jesus Maria na nascente Congregação identifica-se com sua missão de formador para a qual estava dotado de qualidades extraordinárias. Foi mestre de noviços por antonomásia, exercendo o cargo quase ininterruptamente desde 1598 até 1611, e como se vê no livro de profissões de Santa Maria de la Scala, passam de 140 os noviços que se formaram sob seu magistério. Uma boa amostra de sua ciência e experiência nós a temos ainda em sua Instructio noviciorum e Instructio magistri noviciorum, cuja influência estendeu-se também a outras Ordens religiosas [15] .

            Três vezes definidor geral e Geral durante o triênio de 1611-1614, faleceu em 1615 em Montecómpatri, onde seu corpo conserva-se ainda incorrupto.

 

PEDRO DA MÃE DE DEUS (1565-1608)

            Pedro Villagrasa, natural de Daroca (Zaragoza), encontrava-se também estudando em Alcalá quando, tendo somente 16 anos e meio, vestiu o hábito dos Descalços em Pastrana. Co-noviço rigoroso de João de Jesus Maria, professou uma semana antes que ele, em 23 de janeiro de 1583. Depois de seu noviciado prosseguiu os estudos na mesma Universidade de Alcalá. Ordenado sacerdote, revelou imediatamente qualidades oratórias extraordinárias, que irão crescendo com o correr dos anos.

            O P. Dória enviou-o à Itália acompanhando João de São Jerônimo, que ia a Roma com o cargo de procurador. Data provável: meados de 1590. Seu primeiro trabalho em Roma foi o de recadista do Procurador, encarregando-se pessoalmente, por exemplo, de fazer as compras no mercado. E isso proporcionou-lhe a oportunidade de misturar-se com as pessoas e aprender rapidamente o idioma do povo, elemento indispensável para um orador nato como ele. De Roma foi para a comunidade de Gênova, onde sua presença está documentada desde princípios de 1593 até fins de 1595. A fama do P. Pedro como pregador chegou aos ouvidos do cardeal Pinelli, protetor da Ordem, que  o convidou para pregar em Roma na Quaresma de 1596. E foi tal o efeito que produziram seus sermões na Cidade Eterna que o Papa Clemente VIII nomeou-o em seguida Pregador Apostólico, ofício no qual o confirmaram também Leão XI e Paulo V. Foi este prestígio pessoal do P. Pedro que moveu o Papa a desejar uma fundação de Descalços em Roma. Por isso, quando os superiores da Espanha começaram a colocar dificuldades ao possível retorno do P. Gracián e tentaram fazê-los voltar à sua pátria, o Papa eximiu-os da jurisdição da Espanha, nomeando o P. Pedro como Comissário da nova Congregação até que o capítulo elegesse, a seu devido tempo, o primeiro Geral. Como primeiro Geral foi eleito, como dizíamos, em 1605, Fernando de Santa Maria. Em 1608, sucedeu-o no cargo o P. Pedro da Mãe de Deus, que faleceu prematuramente em 26 de agosto desse mesmo ano.

            Essas brevíssimas indicações biográficas sobre os protagonistas que contribuíram principalmente para o desenvolvimento da Congregação Italiana podem ser suficientes para fazer ressaltar que os três tinham bebido o ideal teresiano em suas mesmas fontes, possuíam uma ótima preparação universitária e haviam sido formados na vida religiosa durante o governo do P. Gracián.

            Para completar o quadro, convém acrescentar que o primeiro prior de Gênova (1585-1587), Cristóbal de Santo Alberto, possuía também uma formação teresiana que não podia ser melhor: capelão das Descalças de Caravaca desde sua fundação (1576), recebeu de frei João da Cruz o hábito dos Descalços em Baeza em 1581. O P. Gracián deu-lhe a profissão em meados de 1582, escolhendo-o a partir desse momento para seu companheiro, "por ser homem de espírito, virtude e santidade", disse o mesmo Gracián [16] . Enviado a Gênova para comunicar ao P. Dória a notícia de sua eleição como provincial, ficou ali em seu lugar.

            A intimidade do segundo prior de Gênova (1587-1590), Pedro da Purificação, com a Santa, o Santo e o P. Gracián, é muito mais conhecida e não é necessário insistir sobre isso [17] .

            A conseqüência lógica de todas estas premissas é que em Gênova formou-se uma verdadeira comunidade teresiana, composta de personalidades de primeira categoria, que seguiu seu próprio ritmo de crescimento e sua evolução interna sem ressentir tanto as mudanças de rumo que se iam introduzindo na Espanha. Daí que na hora de tomar decisões autônomas alguns anos depois, sintam-se teresianos e apelem para a autoridade da Madre Fundadora para defender como própria da Ordem a atividade missionária em terras de infiéis, afastando-se abertamente dos critérios que tinham prevalecido a nível oficial na Congregação da Espanha [18] .

            O tema das origens da Congregação Italiana está ainda por estudar. Publicaram-se ultimamente as Constituições aprovadas em 1599 e em 1605, onde podemos apreciar alguns pormenores de importância em que a nova Congregação se afasta das Constituições de 1592 adotadas como texto base.  Contêm também parágrafos sobre o apostolado da Ordem e sobre a Santa Madre Teresa que, ainda que aprovados em capítulo, não apareceram depois no texto impresso, talvez por respeito às Constituições editadas pela Congregação Espanhola em 1604 [19] .

            Está também por estudar as relações e a influência mútua entre as duas Congregações desde o momento da separação. É evidente que muitos espanhóis olhavam com simpatia para a Congregação Italiana, inclusive Roca tentou agregar à ela sua província de Catalunha, porém, descobertas suas intenções, foi deposto do cargo de provincial por Francisco da Mãe de Deus em 1604, permanecendo desterrado da província enquanto Francisco e Alonso governaram [20] . Como as Crônicas da Espanha foram traduzidas para outras línguas, sua influência se deixou sentir também na evolução interna da Congregação Italiana, evolução que pode ser outro interessante tema de estudo [21] .

            Há anos atrás o P. Anastásio Roggero terminou sua tese de doutorado intitulada "Os inícios da Reforma Teresiana na Itália". O trabalho pode ser um bom ponto de partida para esse estudo sobre as origens, que ainda está por fazer, pois o P. Anastásio concentra sua investigação sobre a fundação dos conventos de Gênova, iluminando-a com contribuições muito valiosas, porém sem abordar o problema de fundo que saía fora dos limites de seu trabalho [22] .


[1] MHCT 3, p. 533-694.

[2] Cf. HCD 9, p. 468-470.

[3] Cf. Contituições de 1604 e 1623, P. III, c. 7, n.º 10. Sobre Quiroga ver FORTUNATO DE J. S., El P. José de Jesús Maria y su herencia literaria.  Burgos,1971.

[4] Cf. FORTUNATO, p. 24.

[5] Não possuímos um estudo crítico sobre os autores da censura, os reparos que fizeram, o fundamento histórico das posições de uma e outra parte.

[6] Cf. Ana de Jesús, p. 339-348.

[7] HCD 9, p. 468.

[8] Para mais detalhes sobre Jerônimo de São José, historiador cf. Ana de Jesús, p. 387-407, e a edição de Genio de la Historia por Higinio de Santa Teresa (Vitoria,1957) p. 1-199.

[9] Reforma, t. II, 1.8, c. 79, p. 706.

[10] Reforma, t. I, p. 9.

[11] HCD 6, p. 697-703.

[12] HCD 1, p. XXXVI.

[13] Sobre Traggia está terminando sua tese doutoral em História o P. ALBERTO PACHO, El P. Manuel Traggia (Manuel de Sto. Tomás de Aquino) (1751-1817). Una figura desconocida del pensamiento español del fines del siglo XVIII y comienzos del XIX.

[14] Cf. HCD 8, p. 45.

[15] Sobre João de Jesus Maria possuímos uma tese doutoral em História: ANTONIO DI G. B., Giovanni di Gesù Maria Calagorritano, OCD, (1564-1615), e le sue opere di formazione spirituale dei Novizi. Roma,1960. Suas Instruções foram reeditadas no Enchiridion de Institutione novitiorum ordinis Carmelitarum Discalceatorum. Roma,1961. Para sua ingente produção literária ver os três volumes de Opera omnia. Florença,1771-1774. N.T.: Em 1996 introduziu-se sua causa de Beatificação.

[16] Cf. MHCT 3, p. 660.

[17] Co-noviço de Gracián, professou em Pastrana em 11 de janeiro de 1573. Cf. MHCT 3, doc. 399, onde, em 13 de março de 1589, expressa seus sentimentos sobre o que estava acontecendo com o P. Gracián.

[18] Sobre o tema das missões existe um bom estudo sintético ao qual remeto: E. ALFORD, Les missions des Carmes Déchaux. 1575-1975. Paris-Tournai, Desclée, 1977. (Présence du Carmel, n.º 13).

[19] Primae Constitutiones Congregationis S. Eliae OCD anno 1599 a Card. P. Pinelli, auctoritate Apostolica, approbatae. Ed. Valentinus a S. Maria. Roma, 1973. Constitutiones Carmelitarum Discalceatorum Congregationis S. Eliae anno 1605 latae. Editio omnes constitutionum redactiones Carmelitarum Discalceatorum Congregationis Italiae a capitulo generali 1605 usque ad capitulum generale 1608 inclusive complectens, a P. Joanne Marco Strina parata. Januae 1969.

[20] Cf. HCD 8, p. 786-789.

[21] Também a Congregação Italiana começou sua "Historia Generalis Fratrum Discalceatorum Ordinis B. V. Mariae de Monte Carmelo Congregationis S. Eliae", mas parou-a ainda antes que a Espanhola: o primeiro tomo (1668) chega com a história até 1606, o segundo (1671) até o ano 1612 inclusive.

[22] Cf. ANASTASIO ROGGERO, Gli inizi della Riforma Teresiana in Italia. Dissertatio ad Lauream. Roma, Pont. Univ. Gregoriana, 1975.

     
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